Morreu hoje um grande poeta, pensador e tradutor brasileiro: Bruno Tolentino. Você nunca ouviu falar dele? Eu também não. Li a nota póstuma hoje e resolvi me informar a seu respeito.
Após 30 anos auto-exilado na Europa, ele retornou ao Brasil, meados dos anos 90. Abandonou seu país e a sua língua: parou de escrever em português. Publicou livros em inglês e francês, os quais foram reconhecidos pelos meios literários do velho mundo. Conheceu lendas como Samuel Becket; lecionou em Oxford; engravidou mulheres descendentes de famosos poeta e filósofo. Seria puro capricho? Talvez sonhava manter a linhagem intelectual da família.
Pode parecer a biografia de um homem arrogante, orgulhoso da sua cultura e de suas raízes (favor não confundir com ufanismo). Talvez até seja. O que nos (ou me) resta é a inveja. O homem chamou os irmãos Campos de “péssimos escritores e péssimos tradutores” em fantástica entrevista concedida à Veja, em 1996. Para tanto, ele cita um erro grave em uma tradução do poeta alemão Rilke (do qual o rapaz engravidou uma descendente).
Não é minha intenção reproduzir essa biografia encantadora. As informações estão todas nos links abaixo. Poemas perdidos se encontram facilmente no google. O que esse texto pretende refletir é como um homem alcança um orgulho legítimo ao longo da vida. Imagino diversas possibilidades, mas só afirmo uma: o conhecimento adquirido. E quando esse conhecimento é literário, lingüístico, o homem parece conquistar o mundo. Falar e ser ouvido. Ser respeitado. Saber tanto ao ponto de ser quase impossível correr o risco de ser pedante. Poder desprezar o mundo sem medo de ser calado.
Segundo declarações e depoimentos sobre Bruno, sua bagagem literária e lingüística encheria um contêiner. Assim justifico a inveja: a minha cabe numa pochete.
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/