As declarações do presidente Lula, em rede nacional, sobre o acidente em Congonhas, atingiram as expectativas: nada relevante. Porém, uma medida importante foi posteriormente anunciada: a nomeação de Nelson Jobim para o ministério da Defesa.
Jobim entrou solando. Considera a Anac ineficaz e o ex-ministro da Defesa, Waldir Pires, ineficiente. Analistas já especulam sobre a razão das firmes atitudes de Jobim: ele almejaria a presidência da república.
Nelson Jobim é amigo de Lula, Serra e FHC. Já foi ministro do Supremo e ministro do FHC. E hoje sabe que o brasileiro sente a ausência de um pulso forte (Lula demorou 3 dias para falar sobre a tragédia de Congonhas). Jobim acredita (especulação nossa) poder repetir o que FHC fez no governo Itamar: nomeado ministro da fazenda, controlou a inflação como mentor do plano real. Inflação que era o grande problema da época. A analogia é pertinente: se Jobim resolver a grande crise atual, a aérea, pode ganhar a imagem de homem forte e competente para a sucessão presidencial.
O que diferencia as situações, quase 15 anos depois, é o alcance da solução: o fim da crise aérea beneficiaria uma pequena fatia eleitoral: aqueles que viajam de avião. Já o plano real atingiu todo o país, pobres e ricos. O que Jobim espera é que, crise solucionada, o pobre, fiel da balança eleitoral, esteja solidarizado com a melhoria no transporte que ele jamais utilizou, e nem vislumbra usufruir.
Guardadas as situações e proporções, Nelson Jobim surge como o novo FHC. Se falhar, claro, esqueça tudo isso que andam dizendo. O deputado Fernando Gabeira, do PV do Rio, já alertou: é uma nomeação política. Jobim não entende nada de aviação.
E agora, o que pesa mais: conhecer o ambiente do problema ou aparentes bagos e muque?
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