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Posts de Julho, 2007

Reflexões tardias – Parte 2

In Comentário, Lucas on Julho 31, 2007 at 12:58 am

As declarações do presidente Lula, em rede nacional, sobre o acidente em Congonhas, atingiram as expectativas: nada relevante. Porém, uma medida importante foi posteriormente anunciada: a nomeação de Nelson Jobim para o ministério da Defesa.
Jobim entrou solando. Considera a Anac ineficaz e o ex-ministro da Defesa, Waldir Pires, ineficiente. Analistas já especulam sobre a razão das firmes atitudes de Jobim: ele almejaria a presidência da república.
Nelson Jobim é amigo de Lula, Serra e FHC. Já foi ministro do Supremo e ministro do FHC. E hoje sabe que o brasileiro sente a ausência de um pulso forte (Lula demorou 3 dias para falar sobre a tragédia de Congonhas). Jobim acredita (especulação nossa) poder repetir o que FHC fez no governo Itamar: nomeado ministro da fazenda, controlou a inflação como mentor do plano real. Inflação que era o grande problema da época. A analogia é pertinente: se Jobim resolver a grande crise atual, a aérea, pode ganhar a imagem de homem forte e competente para a sucessão presidencial.
O que diferencia as situações, quase 15 anos depois, é o alcance da solução: o fim da crise aérea beneficiaria uma pequena fatia eleitoral: aqueles que viajam de avião. Já o plano real atingiu todo o país, pobres e ricos. O que Jobim espera é que, crise solucionada, o pobre, fiel da balança eleitoral, esteja solidarizado com a melhoria no transporte que ele jamais utilizou, e nem vislumbra usufruir.
Guardadas as situações e proporções, Nelson Jobim surge como o novo FHC. Se falhar, claro, esqueça tudo isso que andam dizendo. O deputado Fernando Gabeira, do PV do Rio, já alertou: é uma nomeação política. Jobim não entende nada de aviação.
E agora, o que pesa mais: conhecer o ambiente do problema ou aparentes bagos e muque?

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Os canalhas compartilhando galinhas

In Comentário, Lucas on Julho 27, 2007 at 2:31 pm

O Brasil corre o risco de ficar em segundo no ranking de medalhas do Pan do Rio, desbancando Cuba. Méritos? Em partes sim. Porém, consta que o Brasil foi favorecido pelas deserções de atletas cubanos. Possíveis medalhistas fugiram dos alojamentos, almejando vida melhor no Brasil.

Não é novidade cubanos fujões. Isso acontece em toda competição internacional. Portanto não vale dizer: o Brasil é tão lindo que os cubanos não querem mais voltar. O que acontece é a repressão que sofrem no regime de Fidel Castro (que insiste em ficar vivo). Qualquer lugar é melhor que Cuba. Até se estivessem no Pan do Piauí.

Tanto canalhas notórios como outros inexpressivos vêem no socialismo cubano um modelo ideal. São os mesmos que aplaudem Hugo Chavez e Evo Morales. É uma farsa que desafia a lógica: vejam os oprimidos atletas que não querem voltar mais ao seu país. Não é questão ideológica. É fato, evidência.  

Mas os canalhas sempre encontram argumentos. Coisas como “é a ilusão do capitalismo, do consumismo que enfeitiça esses jovens desertores”. Quem não gosta duma coca-cola, um bom celular, uma TV a cabo e uma mocinha consumista?

Esses canalhas deveriam viver no meio do mato, amando cabritas e galináceas em regime comunitário. Ou será que eles preferem viver em Cuba?

Eu preferiria o mato. Ou o Piauí.

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Vôo 3054 da TAM, parte 1

In Comentário, Lucas on Julho 20, 2007 at 2:04 am

Acabo de ler a melhor especulação sobre como aconteceu o desastre aéreo de terça passada. Após perceber que não conseguiria pousar, o comandante do vôo 3054 da TAM tentava ganhar velocidade na pista para arremeter (decolar novamente, dar uma volta e tentar pousar novamente). Quando disparou a potência total do avião (chamada potência de emergência) a turbina esquerda apagou. A Turbina direita permaneceu ligada, empurrando a aeronave para a esquerda, ocasionando a estranha trajetória que resultou no desastre.

 

Observando no Google Earth, percebe-se uma grande área de escape à direita da pista de Congonhas. Essa hipótese do apago da turbina esquerda explicaria o brusco desvio para o lado contrário. Não seria então uma manobra, e sim conseqüência da falha da turbina. O que fortalece a idéia é aquele flash na asa esquerda, que se percebe na imagem captada pelas câmeras do aeroporto, pouco antes do grande clarão da explosão fatal. Esse brilho de luz seria o momento em que a turbina esquerda apaga.

 

A dúvida que permanece é por que o piloto resolveu arremeter. Parte da resposta é obvia: ele estava muito rápido para efetuar o procedimento normal de pouso. Mas por que? Duas hipóteses: falha mecânica ou humana, ou falta de aderência da pista encharcada. Lula torce pela primeira: o acidente não seria diretamente relacionado à atual crise aérea. Será, será?

 

Apurou-se hoje que o reversor da turbina direita estaria com problema. Será (será?) a redenção do governo (acabou de passar, no Jornal da Globo, a lamentável comemoração dos petistas assim que ouviram essa notícia). Aguardo o pronunciamento do presidente que acontece amanha a tarde, daí especulo eu a respeito de tudo.

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Os mestiços e as vaias

In Comentário, Lucas on Julho 17, 2007 at 11:25 pm

O Pan do Rio ficará marcado pela sua abertura. Destaco dois pontos: um deles, as sonoras vais recebidas pelo presidente Lula. Outro, um assunto indiretamente abordado aqui há alguns dias: um certo orgulho nacional.

 

Seu nome foi citado sete vezes. Em todas o povo reagiu com estrondosos UUUUUs. Aconselhado por assessores, acabou desistindo de declarar o início dos jogos. No momento ficou revoltado, disse não temer vaias. Alguns dias depois afirmou, em seu programa de rádio, estar apenas triste.

 

Lula afirmou que se sentiu numa festa de um amigo, onde não era desejado por um grupo de convidados. Ele foi preciso: as festas que o presidente freqüenta, como solenidades no nordeste, são formadas por convidados especialmente selecionados. Geralmente miseráveis dependentes das esmolas do Estado. Quem é louco de vaiar aquele que banca?

 

O outro ponto é irritante. Aquela macaquice colorida no gramado do Maracanã, samba, Iemanjá, etc. Querem definir o brasileiro como esse mestiço feliz, cheio de crenças e folclores. Se é para definir o brasileiro, nada disso entra no estereótipo. Temos a enorme maioria da população formada por católicos e crentes. Poderiam tocar um hino gospel na abertura que seria mais pertinente.

 

Assim seguimos: a festa de abertura, que encheu o povo de orgulho, celebra um evento que consumiu dez vezes o dinheiro planejado para sua execução. A abertura, que pretende mostrar o ecumenismo da nação mestiça, faz esquecer um governo que pretende estabelecer cotas, determinando a raça do estudante em função da cor da sua pele. Não bastasse ser incoerente, essa classificação é um retrocesso enorme. Falaremos ainda sobre isso.

 

Nos redimimos com as vaias. Foi um protesto inocente, espontâneo. Mas pelo menos mostra ao mundo que nem todo brasileiro é apenas um mestiço ingênuo e faceiro.

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Ame-o ou deixe-o

In Comentário, Lucas on Julho 10, 2007 at 12:59 am

É deprimente o espetáculo montado na passagem da tocha do Pan pelas cidades brasileiras. Eventos folclóricos, foguetórios e muita comoção do povo. É inacreditável o civismo do cidadão brasileiro, mesmo habitando uma nação exploradora, que não lhe garante segurança, saúde, educação, etc.

Apesar de tudo, compreende-se. É o ufanismo da época da ditadura que permanece arraigado à nossa cultura. Compreende-se, especialmente, já que esse amor cego (e todo amor o é) não é exclusivo dos brasileiros. O que temos aqui é apenas um orgulho diferente dos demais. Explica-se:

Você pode ter orgulho da sua pátria se ela cuida bem de você. Não é nosso caso. Você pode ter orgulho da sua pátria se você se identifica com os demais patriotas. Também não é o caso. Eu, pelo menos, não tenho identificação nenhuma com hábitos, língua, credo ou cultura de um piauiense, digamos. Portanto, qual a grande coisa em sermos ambos brasileiros? Poderíamos ter nascido em qualquer lugar, estar na lama ou na pelúcia, que existiria o  orgulho do nosso chão. Ou você também canta “moruuu, num país tropical, abençoado por Deus…”.

Não é preconceito. É uma questão de lógica. Somos diferentes, pensamos diferente, não gostamos das mesmas coisas. As nossas diferenças são tão grandes quanto a distância que nos separa. Nosso único laço é uma triste coincidência: somos brasileiros.  

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A ONG quer teta

In Comentário, Lucas on Julho 9, 2007 at 5:51 am

Primeiras linhas de matéria do Estadão de ontem:

O governo federal destinou R$ 3 bilhões a organizações não-governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips) no ano passado, segundo dados do Ministério do Planejamento. O valor corresponde a 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB). Do total, técnicos do governo, do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) calculam que quase a metade – perto de R$ 1,5 bilhão – tenha sido desviada da finalidade original dos convênios ou encontrado algum ralo que represente a perda do dinheiro público.O problema é o seguinte: o nome Organização Não-Governamental pretende significar algo independente. Teoricamente é um grupo independente de governos e partidos. Mas não é o que acontece no Brasil. 

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As ONGs se profissionalizaram. Profissionais de diversas áreas atuam no setor, recebendo como salário fatias do bolo repassado pelo governo. Fica até difícil especificar quando esse dinheiro é legalmente pago: se a verba é para projetos sociais, como definir quanto um funcionário irá receber? Essa dificuldade acaba facilitando o quanto uma ONG pode embolsar da mesada que o estado manda.

Veja hoje qual é a função da ONG: intermediar o recurso público, fazer o meio de campo entre a grana e o carente. Não basta toda a máquina legislativa? As ONGs, que deveriam ser uma força independente de fiscalização social, hoje precisam ser fiscalizadas. Já deve até existir uma ONG que fiscaliza outras ONGs.

Daí alguém dirá: se as empresas e aqueles que detém o capital não são filantrópicos, as ONGs precisam do governo para sobreviver. Não é verdade. Essa é a questão distorcida. Essas ONGs nasceram como parasitas da verba pública. Sabem que só sobrevivem porque o governo banca. Ainda mais com a mãe chamada PT no comando. Um exemplo: existiam no Brasil 22 mil ONGs em 2002. Em 2006, 260 mil. É a teta.

Que sobrevivam as ONGs sérias e efetivas, se é que existem. Que o governo incentive empresas a investir na área de responsabilidade social. Dizem que a salvação do capitalismo está na filantropia. Mas, como de costume, essa idéia também é distorcida. Filantropo é o milionário querido, e não o governo de um país pobre, escasso de recursos, com mais de 260 mil bocas procurando uma tetinha. 

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Guerra Santa

In Comentário, Lucas on Julho 4, 2007 at 7:08 am

Entrei no site da Igreja do Evangelho Quadrangular. Buscava informações sobre o caso citado no ultimo post. Esperava qualquer coisa – uma comparação bíblica, Caim e Abel quem sabe? Mas não achei nada. Dizem que a IEQ articula uma reaproximação entre os dois. Quem sabe um pedido público de desculpas, um abraço no altar, em frente ao púlpito. Típico.

 

Enfim, na página da Igreja, existe uma área de “notícias”. Uma delas me surpreendeu: “Padre é condenado a 16 anos por crime de pedofilia”. Está lá, na página principal! É a ultima notícia do www.quadrangular.com.br

 

É notório que os crentes não gostam dos católicos. Não sei se é recíproco. Lembro dos sermões, comparando a adoração a falsos deuses aos santos católicos. Mas colocar essa notícia no ar é provocação. Eu imagino quem monta esse site regozijando ao expor a desgraça alheia, do concorrente. A mensagem pode parecer indireta, mas é clara: veja o que os padres fazem!

 

E você, indignado, não compreende a intolerância entre Judeus e Palestinos?

 

Saiu hoje no site do Jornal da Tarde (mesmos donos do Estadão) uma matéria de algo semelhante. Um pastor evangélico teria forçado um adolescente a praticar preliminares do amor. Seria um post lindo se o missionário fosse da IEQ, mas não é. Logo abaixo, o link da matéria. Sugestão de pauta quente para o site de alguma paróquia.

http://www.jt.com.br/editorias/2007/07/04/ger-1.94.4.20070704.59.1.xml

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Crônica de uma morte anunciada

In Comentário, Lucas on Julho 4, 2007 at 4:47 am

Em meio à crise que centraliza as atenções no Senado, um episódio curioso aconteceu na Câmara. O deputado Mario de Oliveira (PSC-MG) foi acusado de tentar matar o colega Carlos Willian (PTC-MG).

 

O que é curioso no episódio? Preste atenção no termo “colega”. Refere-se à condição de deputado dos dois. Mas eles são intimamente ligados. São mais que colegas, são grandes amigos, são “irmãos”: ambos são pastores da Igreja do Evangelho Quadrangular. É assim que o os crentes se cumprimentam: Paz, irmão! Tudo bem?

 

Não interessa aqui o que aconteceu entre eles, qual o plano de assassinato. E, se interessar, o link esta logo abaixo. A curiosidade citada no início do texto, o motivo dessas linhas, é essa instituição chamada IEQ. Um pastor tentando matar o outro por picuinhas políticas. Não falta mais nada.

 

Quando guri, acompanhei de perto, durante uns 5 anos, o que acontecia na IEQ da minha cidade. Milagres. Exorcismos. O circo completo. E nesse período, dois pastores passaram pela cidade. Um abandonou a igreja, ele e a família. O outro, não satisfeito, largou a bíblia e foi morar com outra mulher. Deixou pastora e filhos rezando. Parece tirado das páginas de Dalton Trevisan mas não é. Isso era a IEQ na minha época.

 

Mas pelo jeito aquele foi o período romântico. Hoje não se fala mais em adultério, ou trocar a esposa judiada por outra mais moça. Hoje o assunto na igreja é homicídio.

Veja de onde tiramos saudosismo em tempos difíceis. Boa noite, irmão.

 http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=50519

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Em nome da conveniência

In Comentário, Lucas on Julho 2, 2007 at 7:37 pm

Há alguns dias, reorganizei este Blog. Apaguei comentários antigos e jurei comedimento nos seguintes. Tudo para torná-lo publicável.

Pensando sobre: possuímos um forte mecanismo de auto-censura. É claro que o homem, para viver e conviver, precisa ser comedido. Mas esse controle do que se faz ou fala não é nenhuma novidade. E esse freio dos atos e idéias se impõe sobre um suposto direito: a liberdade.

Clamamos por liberdade de opinião e expressão, mas quando possuímos, não podemos usufruí-la totalmente. É mentira aquilo que a professora dizia na escola, que a sua liberdade termina onde a do outro começa. Sua liberdade termina apenas quando você resolver que.

Nem sei qual o motivo de falar sobre isso. Talvez apenas para justificar mais uma vez a faxina que fiz neste espaço. Dilemas do passado que se repetem no presente: eu estava afim de escrever uma coisa, mas deixemos quieto. Em nome da convivência.

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