Um episódio interessante marcou o início do julgamento dos envolvidos no mensalão. Dois ministros do Supremo não prestavam muita atenção ao que acontecia na casa: Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia conversavam pelo MSN Messenger.
Quem percebeu foi um fotógrafo do jornal O Globo. Com sua câmera ele focou as telas e capturou os diálogos. Como define a última Veja, os dois juízes “dividiram impressões sobre a atuação do procurador, revelaram parte dos próprios votos, discutiram questões internas e fizeram futricas sobre colegas da corte”.
Ministros do STF e OAB saíram em defesa dos dois. Consideraram o zoom e os clicks abomináveis, invasão de privacidade. Mas internamente a situação foi constrangedora: colegas buscando satisfações e os dois envolvidos pensando em declarar “impedimento” no julgamento por estarem confabulando suas decisões.
Nada no caso é ilegal: os ministros não cometeram nenhum crime. O que faltou foi decoro. Eles compõem a elite da justiça, ocupando posições que exigem alta postura. E o fotógrafo? Utilizou seus recursos para registrar algo que acontecia em local público. Cumpriu o seu dever e não faltou com a ética em nenhum momento.
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Podemos traçar um paralelo entre o episódio e o esforço de Xuxa para impedir a divulgação do seu filme erótico, tanto no Youtube quanto nos camelôs. Foi sua primeira atuação no cinema e, ressalte-se, a melhor. Xuxa foi PAGA para contracenar com um menino diante das câmeras. É uma obra de entretenimento que fere apenas o orgulho da rainha dos baixinhos. Jurídica e constitucionalmente é legal.
Lição: pense nos seus atos agora enquanto você é um João-ninguém. Podem ser constrangedores se um dia você for famoso.
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