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Archive for Setembro 2007

Renúncia

In Comentário, Lucas on Setembro 27, 2007 at 11:45 pm

O tempo passa, meus amigos. A angústia aumenta de acordo com o contar dos anos. Acordamos dos sonhos: abrimos os olhos, já é quase meio dia. Mais doze horas se revelarão meras utopias. Somos crianças ainda e melhor seria não ter sonhado: assim estaríamos livres, o que tivesse vindo seria lucro. Você já mediu seu grau de frustração hoje?

Relembre a infância e a adolescência. Pense mais adiante e busque as reminiscências que esclarecem as antigas previsões: você calculou mal o seu futuro. Você queria, mas querer não é garantia de poder, alguém já disse. Na sua inocência, você foi um grande picareta prevendo o que aconteceria hoje. Você era um Walter Mercado, uma mãe Diná. Minto, você nem se compara a esses trambiqueiros; um ganhou dinheiro, outro viu numa bola de vidro algo sobre o fim dos Mamonas. E você, adivinhou o futuro, atual presente? Claro que não. Fomos todos picaretas nesse quesito.

Mas lá pelos 18 anos eu comecei a prever o porvir, irmãos. Eu sentia que a ambição e o orgulho aumentariam o tamanho do tombo. Assim que a realidade chegasse e me acordasse com sua luz, eu seria derrubado. E o que eu fiz? Tentei reprimir ao máximo todos os meus objetivos. Adotei uma postura pessimista em quase todos os dias desde então. Poucas vezes caí na breve tentação do entusiasmo.

Assim, o tombo foi um leve tropeço: não realizar, não conseguir, tudo estava previsto. Hoje, como previsto, não sou nada. Poucas vitórias aconteceram. Se mais algumas acontecerem? O que vier é lucro, minha gente! 

Segue uma pérola do gigante Manuel Bandeira:

Chora de manso e no íntimo… Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.

Só a dor enobrece e é grande e é pura.
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua ventura…

A vida é vã como a sombra que passa…
Sofre sereno e de alma sobranceira,
Sem um grito sequer, tua desgraça.

Encerra em ti tua tristeza inteira.
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua doce e constante companheira…  

Mais da mesma Ideli

In Comentário, Lucas on Setembro 26, 2007 at 11:37 pm

A Veja desta semana traz matéria sobre as ameaças de Renan Calheiros aos senadores. Acredita-se que, caso Renan caísse, levaria com ele um terço do Senado. Renan sabe demais. A parte mais interessante é a que trata da senhora Ideli Salvatti, senadora petista de Santa Catarina.  

“A líder do partido, Ideli Salvatti, uma canina defensora de Calheiros, é o alvo mais precioso das ameaças do senador. Renan já mandou dizer à senadora que instalará a CPI das ONGs assim que Ideli ou o PT derem sinal de que mudaram de lado. Ideli tem ligações umbilicais com petistas de ONGs envolvidas em desvios e financiamentos irregulares de campanhas em Santa Catarina, seu berço político. Na semana passada, em reunião da bancada do PT, oito dos doze senadores do partido defenderam que se fizesse uma manifestação formal pelo afastamento de Renan. Mas Ideli, ainda exercendo o papel de diligente defensora de Calheiros, convenceu os colegas a desistir da proposta em nome da ´paz no Senado`.” 

Isso explicaria a vergonhosa posição assumida pela senadora durante a primeira votação de cassação de Renan no senado. Então não era apenas um jogo político – era medo. Para este escriba a revelação é regozijadora: Ideli teria relações promíscuas com ONGs catarinenses. Não fiquemos surpresos: as ONGs, além de parasitas da verba estatal, são um depósito de companheiros frustrados. Ali os revolucionários exercem suas vocações socialistas, sem prestar contas das verbas… do ESTADO!

E agora, dona Ideli: manter a pose de defensora de Renan, ignorando a opinião pública catarinense e preservando as supostas falcatruas no terceiro setor? Ou derrubar Renan, que não cumpriu o acordo de se afastar da presidência do Senado, e enfrentar as acusações que ele vazaria aos repórteres? A democracia torce para que Renan seja traído e, revoltado, entregue sorrateiramente à imprensa todos seus antigos comparsas.

L

Picaretagem dos gigantes

In Comentário, Lucas on Setembro 23, 2007 at 5:44 pm

Continua minha saga contra o “neopentecostalismo”. Não faço isso simplesmente pela dívida que esses picaretas têm comigo. Esqueçamos aquela “educação pelo medo” por enquanto. A simples realidade guiada pela luz da lógica desmascara estes canalhas com facilidade.

Matéria da Folha de hoje mostra mais um golpe sujo da Igreja Universal. Dona de um império na mídia, a igreja já conta até com um braço na política: o PRB. Igrejas não pagam impostos; portanto seria ilícito repassar ao partido a doação dos fiéis. Desse modo a Universal encontrou uma maneira de injetar dinheiro no PRB: as empreiteiras que constroem seus templos. O golpe é simples: a Igreja paga um tanto a mais para que as empreiteiras repassem o “extra” ao partido pentecostal. O levantamento aponta que as construtoras doaram 93,4% do dinheiro recebido pelo partido em 2006. E o volume é enorme: o partido recebeu mais dinheiro que PMDB e PP, dois gigantes. Ficou atrás apenas do PT, PSDB e DEM. E este PRB, o novo gigante, possui apenas 3 deputados e 1 senador.

Mas como explicar aos fiéis essa malandragem? Parece não existir argumentos eficientes contra a fé incondicional. O povo pobre, sem perspectivas, encontra alento nos templos evangélicos: lá prometem maravilhas no além-vida, e o preço é essa vida de privações aqui na Terra. Incitam o conformismo de uma maneira suja, descarada: pregam que o povo do Senhor é perseguido, miserável, sofre, enfrenta as tentações. Mas é preciso ser forte para alcançar o galardão. Quanto mais resignado mais forte é o cristão.   

E que maneira fácil de enriquecer e adquirir poder. Essa gente não encontra repreensão: o apoio dos fiéis é incondicional. A esperança é que, assim como o casal Hernandes da Igreja Renascer, esses gigantes morais também respondam à Justiça.

L

Outra cartinha entre tantas

In Comentário, Lucas on Setembro 21, 2007 at 12:22 am

Senhora Ideli,

Ontem foi um dia muito triste para os catarinenses. Lamentamos sua atitude no plenário e em frente às câmeras. Que votasse de acordo com a orientação do seu partido, vá lá. Mas angariar votos para um homem compravadamente corrupto e indecoroso foi lamentável. A senhora saiu de sua irrelevância no cenário político para aparecer dessa maneira, menosprezando opinião pública e atuando como prosélito da impunidade. A senhora esquece que representa um povo forte, e não uma legenda, um jogo político. Comemorei com meu pai quando a senhora foi eleita e desbancou os Bornhausen. Hoje me sinto traído ao lembrar daquele momento de alegria e, porque não, esperança. Espero que saiba que vai pagar o preço dessa arrogancia e dessa indiferença perante o povo de Santa Catarina.

***

Mandei o recado acima para esta ilustre senhora. Ainda sob efeito de suas descaradas aparições nos telejornais. Mas agora, resignado, reflito sobre algumas frases: povo forte? Pagar o preço? Não sei… De qualquer maneira, fica registrado o momento. Pelo menos não morre esquecido, como outros tantos, no servidor de e-mail do Senado.

Todos foram cooptados

In Comentário, Lucas on Setembro 16, 2007 at 10:18 pm

No dia ou um dia após a absolvição de Renan Calheiros no Senado, o Jornal Nacional entrevistou algumas entidades “representativas” da sociedade. Todos unânimes declarando o fiasco da impunidade, a não ser uma mocinha, presidente da União Nacional dos Estudantes. Candidamente ela repetiu o discurso de Dirceu, Ideli e do próprio Lula: é preciso respeitar a decisão legítima do Senado.

Essa unificação do discurso petista alcançou seus súditos, os parasitas do Estado. Vejam a porta-voz da UNE, um antro de jovens comunistas frustrados que sempre foram notórios pelo escarcéu, pela gritaria. Agora marcham alinhados ao discurso oficial. Uma frase resume a situação: foram todos cooptados.

Os sindicatos não funcionam mais no Brasil. Suas diretorias, todas compostas por tradicionais “esquerdistas”, hoje apóiam incondicionalmente o governo. Só reinam com os estados, se estes forem de oposição. Esse apoio é resultado das diversas ferramentas da cooptação: bajulações, promoções, verbas e o brado uníssono “Agora é nóis no poder!”

É um trágico fenômeno, parecido com a imprensa “a favor” que acompanhamos hoje no Brasil. Perde o sentido, assim como esses sindicados cooptados e subservientes. Sei de fonte interna sobre o sindicato de uma gigante estatal que hoje hiberna. Os líderes foram promovidos, e humildemente informam a plebe: Gente, o governo não poderá nos ajudar dessa vez. Tornaram-se facilitadores, justificadores da política do Estado.

O PT não é apenas incompetência e corrupção. É também esse aparelhamento das representações da sociedade. As negociações deram lugar a relações imorais, indecorosas e promíscuas. É preciso eleger a oposição em 2010 e colocar esses parasitas no seu devido lugar.

L

Ideli: esquecida na memória

In Comentário, Lucas on Setembro 13, 2007 at 11:06 am

Ideli Salvatti (PT-SC) teve papel de destaque na absolvição do senador Renan Calheiros. Ela bradou em defesa de Renan no plenário. Após a votação, assumia com firmeza sua posição para os jornalistas. Provavelmente ignorava a faixa territorial ao sul do Brasil que a elegera.

 

Lembro do dia das apurações dos votos, quando ela foi eleita. Meu pai e eu comemorávamos a queda dos Bornhausen. Acreditávamos que uma mulher, petista, seria garantia de ética e olhar atento ao lado social, haja vista o perfil político das mulheres. Haja vista o que representava a estrela do PT na lapela do candidato.

 

A legenda PT há tempos está politicamente acabada. A virtude ética do partido afundou devido aos casos de corrupção, corporativismo e incompetência administrativa. As mulheres petistas também perderam o respeito: a dança ridícula da impunidade, o relaxa e goza e agora esta senhora arrogante que compactua com a corrupção. São as filhas queridas que caíram na zona.

 

Não me fale em obrigações políticas. A única obrigação dessa senhora é com os catarinenses. Que votasse a favor de Renan, vá lá, era interesse do partido e é assim que a política funciona. Mas seus brados em favor de um corrupto feriram o orgulho catarinense. E o que mais dói, minha gente, é esse sentimento de traição. Ela saiu de sua irrelevância política para roubar um momento em família, feliz e de certa esperança, que eu guardava esquecido na memória.

 

Vai ter volta, minha senhora.

 

L

Era uma vez, companheiro.

In Comentário, Lucas on Setembro 4, 2007 at 10:44 pm

Com a condição de réu decretada aos 40 larápios do mensalão, acredita-se que o governo Lula acabou. Mesmo faltando 3 anos e pouco para entregar a faixa, a era petista está moralmente e politicamente acabada.

Sabendo disso, já está em pauta a eleição de 2010. Lula já admite entregar o poder a partidos alinhados com sua política. Traduzindo: desde que companheiros continuem em ONGs, estatais, sindicatos e demais poleiros do funcionalismo. Claro que essa condição conta com a premissa de que o próximo governo vai manter o auxílio a todos os atuais parasitas.

O interessante do quadro aparece se supormos uma vitória tucana em 2010. Especialmente com José Serra na presidência. Acredita-se que ele desmontaria o aparelhamento montado pelo PT. ONGs e sindicatos ficariam órfãos da verba oficial. Funcionários públicos perderiam o emprego. Empresas estatais deficitárias seriam privatizadas.

Não é nenhuma utopia: é um futuro absolutamente plausível. Imagine a revolta dessa classe que perderia a sua teta. Seria um primeiro ano de muitas manifestações. Enfrentaríamos certas crises devido aos conflitos provocados pelos inconformados e frustrados. Mas após colocar as coisas em ordem acordaríamos como um país mais forte, apenas lamentando os oito anos praticamente perdidos.

Agora, se José Serra (Aécio Neves?) terá essa força é outra história. A apatia atual da oposição é desalentadora. Mas não custa nada sonhar.   

L

Temor devido ao telhado de vidro

In Comentário, Lucas on Setembro 3, 2007 at 9:37 am

Renan Calheiros tem até quarta-feira para decidir se envia ao STF o pedido de votação secreta para o seu “julgamento”. A medida vem causando certa polêmica desnecessária. Não será preciso aqui, neste espaço, nenhum raciocínio intelectual para imaginar as situações, pois se necessitasse eu estaria impedido de fazê-lo. O cenário é cristalino e já se falou sobre isso diversas vezes. Seguem reproduções das hipóteses e soluções.

 O voto secreto é amplamente favorável a Renan. Ele sabe que muitos daqueles que o julgarão temem seu poder. Todos sabemos do rabo preso dos políticos. Mas Renan deve saber detalhes dos colegas para ser tão temido. Devido a sua rede de influência é que Renan ainda permanece na presidência do Senado.

Renan alega que o voto secreto permite que aquele que julga não sofra pressões e exerça seu direito sem interferências. Porém, é nessa surdina em que ele atua. É ali que ocorre a troca de favores. É por baixo do pano onde se manifesta toda sua influência. “Vote em meu favor e esquecemos aquela falcatrua”.

A solução é a oposição manifestar abertamente seu voto. Mesmo ocorrendo a votação secreta, nada impede um político de expor seu voto em voz alta. Assim, quem permanecer calado, terá votado por Renan. E quem votar contra Renan, mas permanecer calado, fará isso porque teme mais o réu do que os seus eleitores e a opinião pública.

Países como o Brasil, onde a corrupção é endêmica, precisam extinguir para sempre o voto secreto da política. Homens públicos não têm o direito de esconder suas opções. O voto aberto evita muita sujeira que a sociedade desconhece. Evitaria até episódios constrangedores como aquele da manipulação do placar eletrônico do Congresso: naquele mar de votos anônimos, quem perceberia uma alteração, desde que o total permanecesse correspondente ao número de votantes?

Justificando o começo desse texto: a polêmica é desnecessária porque é possível saber e cobrar o voto do seu representante, mesmo sendo o voto secreto. A omissão do parecer contra ou a favor acaba revelando indiretamente a intenção do voto. O problema reside nessa cobrança: a obrigação de saber a opinião de um político não pode ser estabelecida porque a lei exige. É uma questão de dever cívico e de transparência elementar ao exercício político.

L