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Posts de Outubro, 2007

Vandalismo e Invasão. E a carne que é crime…

In Comentário, Lucas on Outubro 27, 2007 at 8:24 pm

Hoje é quinta-feira, dia 25 de outubro. O prédio central da UFPR, onde funciona a reitora, foi invadido há 8 dias por estudantes. O cenário é deprimente por dois motivos: o primeiro estético, comportamental, ideológico. Tudo o que esses alunos sujos fazem é errado. Pode parecer consciência política, mas é um embuste. Brincam de revolução, como se estivessem fazendo algo grandioso em nome de uma causa. 

 

O segundo motivo é a conseqüência maior da invasão. O Restaurante Universitário fecha amanhã porque o setor de finanças foi invadido. Não há dinheiro para comprar comida. Também não há como liberar verba para pagar milhares de funcionários. Sorte desses intrusos é que o Reitor e mais algumas autoridades são bonzinhos. Querem evitar o confronto. Não seguem o exemplo da segunda tentativa de invasão da USP, quando a polícia reprimiu os revoltosos no ato.

 

Nada contra protestar. Devemos ser contra essas atitudes descabidas, onde o bem público é afetado e milhares são prejudicados devido a uma discussão pobre sobre reforma universitária.
Cito aqui outro exemplo: muros e portões de Curitiba estão sendo pichados com a frase “Carne é Crime”. Pesquisei no google mas não encontrei nada interessante. É um protesto contra suposta violência no abate dos bois. Cito o caso para insistir na idéia desse texto: protestam sempre no lugar errado.

 

Quem paga a conta por esse vandalismo camuflado como luta pelos direitos dos animais? Nós, cidadão comuns, pagamos quando a prefeitura de Curitiba informa que gasta um milhão e meio por ano com o vandalismo. Mas quem paga mais são os alvos dos protestos: açougues e churrascarias de Curitiba, que não matam bois, apenas cortam e assam. Não têm nada a ver com a história. Em suas portas e muros lê-se o vago bordão “Carne é Crime”. Crime é estragar o bem público. Ou vão afirmar, analogicamente ao tráfico, que o costelão da esquina é quem financia a prática da tortura animal?

 

Por que esses valentes defensores dos rebanhos não vão até grandes frigoríficos, por exemplo? Por que não vão à Sadia, à Perdigão, ou se juntem ao MST e à Via Campesina e invadam potreiros e montem nos bovinos? A lei será infringida de qualquer maneira, mas pelo menos teremos um espetáculo interessante. Mas é claro que não vão. É mais cômodo rabiscar muros na surdina e buscar abrigo nos interiores da universidade pública.  

 

 

Era uma vez no oeste

In Comentário, Lucas on Outubro 21, 2007 at 11:04 pm

Dessa vez pode ser coincidência, mas uma atitude sensata há tempos aguardada foi tomada na semana passada: após o trágico acidente no oeste de Santa Catarina, onde 27 morreram, o governo privatizou milhares de quilômetros de rodovias federais.

Falo na coincidência pelo seguinte: no Brasil, sempre aguardamos por grandes tragédias para atitudes serem tomadas. Vejam o caso dos 200 de Congonhas. A mobilização foi enorme e praticamente não se fala mais na crise aérea. Nos últimos dias, até juizados especiais foram montados em aeroportos brasileiros. O cidadão prejudicado pelos atrasos e cancelamentos pode buscar seus direitos imediatamente, ali pertinho.

Relaciono os casos pelo seguinte: a carnificina diária das nossas estradas só tem solução com a privatização das rodovias. O desastre de Santa Catarina pode não ter nenhuma relação com o leilão das rodovias. Mas a venda dos trechos federais foi a melhor notícia que as famílias das vitimas poderiam receber. É um consolo e uma esperança por dias melhores.

Creio que não bastam apenas os pedágios para conservação das atuais estradas. É preciso duplicar todas as principais ligações rodoviárias do Brasil. Não existe nem lógica: um tráfego intenso que se arrisca em curvas e ultrapassagens, cruzando a um, dois metros de distância, em sentido contrário. O valor das obras é alto, mas é necessário acontecer algo drástico para pouparmos vidas.

Além disso, a privatização que modernizaria o asfalto e a sinalização deveria alcançar os acostamentos e arredores: hotéis e motéis de qualidade, banheiros melhores que os atuais chiqueiros, restaurantes, bordéis apresentáveis, etc. É urgente civilizar nossas rodovias. E o estado é incapaz de cumprir essa missão.  

Isso não está correto

In Comentário, Lucas on Outubro 18, 2007 at 3:03 pm

Muito cuidado companheiros! Andam confundindo politicamente correto com democracia e Estado de Direito. Agora que o PT está no poder, prega-se mais do que nunca que os problemas só terão solução através de um embasamento ideológico. Errado: a solução é liberdade, educação, polícia na rua, aplicação da lei e por aí vai. Não é bem esse o assunto…

Então, voltando: o politicamente correto é uma praga que se alojou no Brasil. É uma maneira de policiar o que é dito, ajustar termos supostamente ofensivos para coibir o racismo e a desigualdade. Mas o problema permanece, só muda de nome. É uma espécie de eufemismo para as mazelas. Quando a solução para os descalabros é o rigor da lei e a educação.

Exemplo: a obrigação de chamar um preto de afro-americano vai auxiliá-lo no que em sua ascensão social? Em nada. O que acontece é que se camufla o problema. E o estado vigia essa conduta, como se estivesse protegendo minorias e desamparados (cotas raciais, classificação indicativa, etc). Quando a única garantia que se exige do Estado é saúde, educação, segurança.  

É, hoje não está adiantando insistir. Que lambança de idéias. É um daqueles posts que insistem em resistir ao botão “delete”. Azar. Foi ao ar.   

A voz dos… bandidos!

In Comentário, Lucas on Outubro 17, 2007 at 11:27 pm

Luciano Huck foi entrevistado há duas semanas pela revista Veja. Ele e a revista foram severamente criticados: Quem esse riquinho pensa que é para reclamar? Como a Veja cede espaço para ouvir um playboy? A mesma crítica que se fez ao movimento “Cansei”: é a classe alta que não gosta do governo popular petista.  

Então Huck escreveu na Folha de São Paulo e, como resposta ao seu texto, um rapper que me foge o nome escreveu, no mesmo jornal, algo assim: teria sido justo o Rolex de Luciano Huck ser roubado em um assalto. Ele deveria agradecer por não ter perdido a vida. 

Agora perguntamos: eu, você ou Luciano Huck somos culpados por existir a pobreza, a desigualdade? É justo um cidadão rico trocar seu relógio pela vida com bandidos necessitados? Lembremos que não foi filantropia ou doação: foi um assalto à mão armada, justificado por esse rapper que, já disse, me foge o nome. A cultura política das favelas não me interessa em nenhum aspecto. 

A Folha errou ao dar voz aos dois lados do debate: nada justifica o assalto. Querem tratar o bandido como vítima do sistema, justificando as atrocidades cometidas. O pecado de Huck é ser rico. E o cidadão rico ou mesmo de classe média não tem o direito de reclamar. Reclamar é prerrogativa do pobre e oprimido.  

É dessa maneira que a sociedade caminha rumo à falência: quando se atropelam as leis e se justificam barbaridades cometidas pelo mais fraco. O que é mais espantoso: um cidadão honesto indignado com a violência, ou a suposta mídia golpista dando voz aos marginais que justificam e fazem a apologia da desordem, da anarquia?

L

Decidido ou Afobado

In Ficcional, Lucas on Outubro 8, 2007 at 6:56 pm

Não deixo mais as coisas para amanhã

Aos poucos estou mudando

Por exemplo, te vi hoje pela manhã

E agora à noite já estou te amando.

Ela denovo: Ideli Salvatti

In Comentário, Lucas on Outubro 5, 2007 at 5:18 pm

Este escriba (re)regozija com o novo alvo da Justiça: Ideli Salvatti. Ela mesma, que ignorou a opinião pública catarinense e brasileira angariando votos para salvar Renan Calheiros. Pousava orgulhosa para a imprensa, tentando explicar e justificar sua postura indecorosa. Achávamos que ela fosse apenas um peão no jogo de defesa de Renan. Achávamos que o papel feio, sujo, canalha que ela teve no senado era parte da maneira petista de fazer política. Mas estávamos enganados. Ideli não fez a pregação da impunidade por motivos ideológicos ou políticos. Ela temia o que Renan sabe.

Apesar do silencio de agradecimento de Renan, a imprensa descobriu um trambique. A seguir a primeira parte da matéria da revista Veja sobre o assunto: 

O Senado vai instalar nesta semana uma CPI para investigar entidades e organizações não-governamentais suspeitas de desviar recursos públicos. Somente nos últimos oito anos, o governo destinou 33 bilhões de reais às chamadas ONGs por meio de convênios e emendas parlamentares. Seria uma forma ágil e eficiente de fazer chegar às comunidades mais carentes os programas sociais. Sem fiscalização adequada, muitas dessas organizações se transformaram em máquinas de fraudes que enriquecem seus dirigentes e financiam campanhas políticas regionais. Em Santa Catarina, a Polícia Federal está investigando um caso exemplar. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) recebeu 5 milhões de reais para promover cursos de treinamento profissional. Parte do dinheiro, já se sabe, foi parar na campanha política de um deputado do PT. Para justificarem os gastos, os dirigentes da federação falsificaram planilhas e criaram alunos-fantasma. O que mais chama atenção no caso, porém, é o eixo entre os principais envolvidos na fraude. Todos são correligionários, amigos ou assessores da senadora catarinense Ideli Salvatti, líder do PT no Senado.” 

O destino quis que dois tópicos recorrentes deste Blog convergissem: Ideli e ONGs. Juntos na mesma sujeira. Em breve Ideli estará politicamente acaba. Não tenham dúvidas que vai renunciar para não perder seus direitos políticos. E ano que vem teremos eleições municipais. Espero que os catarinenses tenham boa memória e bom senso, e não permitam que Ideli se eleja nem mesmo vereadora.  

Creio que será acomodada em algum lugar para onde vão os petistas. Geralmente algum local do terceiro setor. É assim: não sabemos para onde vamos quando morremos. Quando um petista morre, eu sei para onde ele vai: para um gabinete, uma secretaria, uma estatal, uma ONG. As salas escuras e ineficientes do Estado se tornaram o purgatório petista.

L

A voz do povo

In Comentário, Lucas on Outubro 1, 2007 at 8:26 pm

O Jornalismo brasileiro há tempos comete uma séria heresia. Você já ouviu falar que a voz do povo é a voz de Deus. Talvez o mais famoso dos ditados. Por se tratar de frase tão famosa, virou uma unanimidade. E o jornalismo, assim, resolve dar voz ao povo para “inserir a sociedade no debate”. E o povo então fala o que pensa. O povo opina.

 

Um exemplo extremo e grotesco é o telejornal do SBT. Os apresentadores interrompem o noticiário para perguntar e ouvir banalidades dos telespectadores. Mesmo sendo cidadãos previamente selecionados, nada se aproveita. Enquanto isso, nossos peritos e especialistas (esquerdistas não contam) estão calados.

 

Se a imprensa pretende ouvir o povo é necessário educá-lo, alfabetizá-lo.

 

A informação não se dá bem com o tempo. Redações vivem na correria, no limite, lutando contra os prazos. As informações então são esclarecidas, esmiuçadas por especialistas, colunistas, articulistas. Que retrocesso abordar um anônimo na rua e perguntar o que ele pensa a respeito de alguma coisa.

 

O povo será melhor inserido no ambiente de informação servindo de fonte. Declarando o que viu, o que sentiu, mas sem exercícios intelectuais de interpretação e juízos que não lhe cabem. Talvez caibam em casa ou no bar, mas não na TV, no rádio, nos jornais.

 

Se Deus existe, deve estar há tempos furioso com essa afirmação de que o seu povo transmite sua voz. Essa frase pode parecer inocente, mas em democracias que não respeitam o estado de direito acaba justificando a corrupção. Exemplo: um candidato acusado de peculato é reeleito e afirma que foi julgado e absolvido pelos eleitores. Essa voz divina que vem da massa passa a ser tão falsa quanto o suposto veredicto da maioria nas urnas.

 

L