Hoje é quinta-feira, dia 25 de outubro. O prédio central da UFPR, onde funciona a reitora, foi invadido há 8 dias por estudantes. O cenário é deprimente por dois motivos: o primeiro estético, comportamental, ideológico. Tudo o que esses alunos sujos fazem é errado. Pode parecer consciência política, mas é um embuste. Brincam de revolução, como se estivessem fazendo algo grandioso em nome de uma causa.
O segundo motivo é a conseqüência maior da invasão. O Restaurante Universitário fecha amanhã porque o setor de finanças foi invadido. Não há dinheiro para comprar comida. Também não há como liberar verba para pagar milhares de funcionários. Sorte desses intrusos é que o Reitor e mais algumas autoridades são bonzinhos. Querem evitar o confronto. Não seguem o exemplo da segunda tentativa de invasão da USP, quando a polícia reprimiu os revoltosos no ato.
Nada contra protestar. Devemos ser contra essas atitudes descabidas, onde o bem público é afetado e milhares são prejudicados devido a uma discussão pobre sobre reforma universitária.
Cito aqui outro exemplo: muros e portões de Curitiba estão sendo pichados com a frase “Carne é Crime”. Pesquisei no google mas não encontrei nada interessante. É um protesto contra suposta violência no abate dos bois. Cito o caso para insistir na idéia desse texto: protestam sempre no lugar errado.
Quem paga a conta por esse vandalismo camuflado como luta pelos direitos dos animais? Nós, cidadão comuns, pagamos quando a prefeitura de Curitiba informa que gasta um milhão e meio por ano com o vandalismo. Mas quem paga mais são os alvos dos protestos: açougues e churrascarias de Curitiba, que não matam bois, apenas cortam e assam. Não têm nada a ver com a história. Em suas portas e muros lê-se o vago bordão “Carne é Crime”. Crime é estragar o bem público. Ou vão afirmar, analogicamente ao tráfico, que o costelão da esquina é quem financia a prática da tortura animal?
Por que esses valentes defensores dos rebanhos não vão até grandes frigoríficos, por exemplo? Por que não vão à Sadia, à Perdigão, ou se juntem ao MST e à Via Campesina e invadam potreiros e montem nos bovinos? A lei será infringida de qualquer maneira, mas pelo menos teremos um espetáculo interessante. Mas é claro que não vão. É mais cômodo rabiscar muros na surdina e buscar abrigo nos interiores da universidade pública.