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Archive for Novembro 2007

Sobre a Intolerância

In Comentário, Lucas on Novembro 30, 2007 at 3:52 pm

Noticia da Veja Online, hoje:

Milhares de pessoas saíram às ruas de Cartum, capital do Sudão, nesta sexta-feira, para exigir o fuzilamento da professora britânica Gillian Gibbons – condenada a 15 dias de prisão e posterior deportação por permitir que seus alunos batizassem um urso de pelúcia de Maomé. Portando faixas com os dizeres: “Sem Tolerância: Execução” e “Levem-na ao paredão de fuzilamento”, muitos dos cerca de 10.000 protestantes estavam armados com facas e bastões. 

Já é uma reação normal dos muçulmanos. Lembram do episódio das charges do profeta Maomé? Muitos acreditaram ser o principio da terceira guerra. Nunca ouve nome tão sagrado para um povo como é “Maomé” para os fiéis do Islã. 

O cristianismo também proíbe o uso em vão do nome de Deus. Mas a questão apontada no caso da professora é o sacrilégio. Temos isso também no cristianismo. Quem já ouviu falar no verbo “escarnecer”? É uma palavra utilizada especialmente pelos pentecostais para o ato de zombar de Deus. Dizem que é o único pecado que não tem perdão. Você pode roubar, estuprar e matar, e se você se arrepender, estará perdoado. Agora, se você é crente, pense duas vezes antes de escarnecer. 

Creio que os muçulmanos julgam que a professora escarneceu o profeta Maomé. Se ela tivesse escarnecido Deus ou Jesus, acertaria as contas apenas no juízo final. Mas no islã é diferente: aqui se faz, aqui se paga. Querem a pena de morte para a moça.  

É uma visão tão retrograda que chega a ser assustadora. Na verdade, os dogmatismos das religiões, se analisados sob a luz da razão e da lógica, são deveras descabidos. Mas por isso é que são dogmas. No cristianismo foi estabelecido que zombar de Deus não tem perdão. Tudo bem, é uma questão de crença. Já no islã, os fiéis impõe um regime de intolerância, de violência. Estes se julgam paladinos da justiça “divina”. É impossível a civilização como concebemos (justiça, estado de direito e especialmente a liberdade) algum dia alcançar essa gente.    

O cabo eleitoral Bill Clinton

In Lucas on Novembro 29, 2007 at 1:39 pm

Acompanhei ontem uma entrevista do ex-presidente americano Bill Clinton. Ele é cabo eleitoral de sua esposa, a favorita tanto ao posto de candidato do partido Democrata como à posterior eleição presidencial, Hillary Clinton. O ex-presidente lança um livro, uma espécie de manual sobre o que você pode fazer para ajudar o próximo, com ou sem dinheiro. Não li, mas acredito que seria um bom puxão de orelhas no modelo filantrópico brasileiro. Pelo que entendi, Clinton mostra exemplos de caridade e cidadania: vai de extremos como Bill Gates a crianças que arrecadavam dinheiro para vítimas do Furacão Katrina. Ele não deve citar exemplos de Estados paternalistas, assistencialistas, corporativistas, ou seja, a maneira brasileira (petista!) de fazer filantropia, distribuir renda.

O ponto interessante da entrevista, porém, foi quando Bill Clinton falou sobre a guerra no Iraque. Ele, como todo democrata, é a favor de uma retirada maciça das tropas americanas do país. Acredita ser um conflito especialmente político, não mais militar. E conclui o raciocínio lembrando a carência de “reservas militares” que os EUA enfrentam, já que o contingente enviado ao Iraque é enorme. Segundo Clinton, homens da força aérea e da marinha já treinam combate em solo para eventuais conflitos. Esse argumento reforça o desejo do ex-presidente de que mais soldados retornem do Iraque: ele tenta mostrar aos eleitores que, atualmente, o país está vulnerável, ou sem forças para mediar situações de conflitos. 

E eu caí nesse argumento! Como escrito aqui há alguns dias, precisaríamos dos EUA caso o maluco Hugo Chávez resolva aprontar por aqui. Espero que os EUA possuam homens e arsenal suficientes para acalmar a Venezuela. Claro que a hipótese é remota, já que a Venezuela enfrenta fortes pressões internas e também porque Lula, nosso representante, é seu admirador inconfesso. Mas, mesmo assim, que se retire boa parte das tropas americanas do Iraque. Que os EUA invistam cada vez mais na sua força militar. Que sejamos sempre bons aliados. Assim ignoramos a corrida armamentista iniciada por Chávez, e investimos nosso escasso dinheiro em, digamos, saneamento básico (item ausente na metade dos domicílios brasileiros).   

MST, Syngenta e um morto famoso

In Comentário, Lucas on Novembro 28, 2007 at 8:00 pm

Mais uma vez os muros de Curitiba se tornaram vitrine de protestos. Dessa vez, os valentes paladinos de causas sociais (qualquer uma) escrevem as frases “Fora Syngenta”, “A Syngenta Mata” e outras variações em dezenas, talvez centenas de paredes. Seguem dois motivos que desqualificam essa ação.

O primeiro já foi citado nesse espaço: a depredação do patrimônio público e privado. Mais uma vez o cidadão paga a conta cobrada por esses revolucionários: ou na forma do dinheiro público usado para reparar o bem, ou quando acorda pela manhã e encontra o muro de sua casa ou comércio pichado com a frase acima.

O segundo é o pressuposto ideológico de sempre que sustenta o vandalismo. A Syngenta não matou. Foi um confronto com a segurança particular da multinacional. Segurança que, a propósito, cumpria seu trabalho: vigiar a propriedade privada, um direito garantido na constituição.

A idéia de que o MST compreende trabalhadores rurais, sedentos por um pedaço de terra para produzir, é ilusória. São desempregados normais. Não se questiona aqui a necessidade de distribuição de renda, talvez até de uma distribuição eficiente de terras improdutivas. Mas é urgente não mais solapar a lei para favorecer causas sociais. É um atalho perigoso.

No episódio, morreram um líder sem-terra e um segurança. Para o campesino, homenagens e manifestos indignados. Agora, quem viu o velório do segurança na TV? Meia dúzia de familiares presentes. Nenhum reconhecimento. Morrera um anônimo, que trabalhava dentro da legalidade, confundido com um bandido. Quando na verdade, fora da lei estava o morto célebre.

Abaixo, trecho do episódio relatado no site do MST. Dispensa comentários.

Uma fazenda experimental de transgênicos da Syngenta no Brasil se transformou no terceiro domingo de outubro em um cenário de horror logo depois da intervenção violenta de uma milícia privada. Como resultado, duas vítimas fatais, entre elas Valmir Mota de Oliveira “Keno”, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além disso, outros camponeses feridos que algumas horas antes haviam ocupado a fazenda da filial brasileira da multinacional suíça em Santa Tereza do Oeste, a 540 kilômetros de Curitiba, na região sudoeste do Estado do Paraná. A partir destes fatos, a empresa agroquímica suíça – número um no mundo no setor fitosanitário e número três no mercado de sementes comerciais – é colocada novamente no banco de réus pela opinião pública internacional. Hoje, em função da violência contra os sem terra. Ontem, por “delitos comerciais” no mundo inteiro e por sua ação contra o direito à soberania alimentar dos povos.

O pedágio é o meu dízimo

In Comentário, Lucas on Novembro 27, 2007 at 8:40 am

Voltando da praia sozinho, domingo, 11 horas da noite. A chuva e o carro sem som (o qual fora roubado há algum tempo, a propósito) colaborando para o ambiente de reflexões. Desilusões do passado e de uma semana que já começava sem grandes perspectivas de mudança. Um ano e uma vida sem grandes expectativas, dependendo do sentido que aplicarmos para a palavra “grande”.

Mas apesar de tudo, um sentimento de segurança durante 100 km. E desta vez sem divagações metafísicas e sentimentais: a segurança era real. A pista sempre dupla, as vezes tripla. Infinitas sinalizações luminosas delimitando o asfalto impecável. Cada curva precedida por uma placa indicando pra que lado vamos. É a concretização daquilo que há de melhor no capitalismo: o benefício da prestação de bons serviços, do respeito ao usuário.

No pedágio, recebido por uma TV de plasma passando informações em cada cabine. Um dos dez reais mais bem gastos da minha vida: se este é o preço por 100 km de segurança e tranqüilidade, por que questionar? Olhei para a mocinha do pedágio sorrindo: eu parecia uma senhora levando algo barato numa liquidação. Eu pagava 10 reais por algo em que eu acredito. O pedágio era o meu dízimo.

Como pode uma solução tão simples ser tão execrada pelos nacionalistas. Enquanto as estradas forem “nossas”, do Estado, continuaremos trocando pneus e resgatando vítimas. Enquanto as estradas principais não forem duplicadas, receberemos com banalidades notícias sobre colisões frontais. Isso demanda investimento? Chamem a iniciativa privada. Desonerem os que não utilizam as estradas. Não é justo? Quem pega a estrada, paga. O custo é insignificante se comparado ao valor imensurável da segurança.

Jô não usa o pinto

In Comentário, Lucas on Novembro 23, 2007 at 3:59 pm

Há algumas semanas o comediante Jô Soares deu uma entrevista à Veja. Para mim, ele apenas mostrou novamente ser aquilo que ele realmente é: um humorista, um contador de piadas, sei lá. Mas nada muito além disso.

O entrevistador pede a opinião de Jô sobre o caso Renan Calheiros, e o gordo veio com essa: “Ora, ele tem uma filha com essa moça, o que mostra a irresponsabilidade dos dois em transar sem camisinha. Sabe-se lá onde o senador andou colocando o pinto dele antes e que relacionamentos a moça teve. Por que uma pessoa que é incapaz de praticar sexo seguro não levará essa irresponsabilidade para a vida pública?” Percebe-se a opinião de alguém que realmente ignora o uso do “pinto” há um bom tempo. Um casal, mesmo de amantes, pode muito bem tomar outras precauções que não a borracha. Mas ele não deve lembrar a diferença entre esse uso e desuso. A propósito, amante só engravida acidentalmente? Tudo bem, segue.

Jô critica também seus similares nos EUA: “Isso, aliás, é o que me desagrada nos programas de David Letterman e Jay Leno hoje: a ênfase nas celebridades. Eles praticamente só entrevistam gente famosa, que está ali promovendo seus últimos trabalhos – além do ar de que foi tudo muito ensaiado.” Sinceramente não sei o que é mais criticável: programas que só entrevistam celebridades ou o Programa do Jô, que tira não sei de qual buraco alguns anônimos que nada de interessante têm a dizer. Mas isso vira desculpa para um programa que se diz democrático, do povo. Afirmo: se você começar a correr pelado, ou fizer alguma micagem criativa, peça à um amigo que ligue para a redação do Jô. Ele vai chamar você.

E essa afirmação de que tudo é ensaiado nos talk shows americanos é muito falsa: David Letterman pode até combinar o que vai perguntar, e o entrevistado certamente ensaia piadinhas para entreter a platéia. Mas não é melhor assim do que ficar vendo o Jô se gabando e se alugando com os picaretas do sofá ao lado? Sem falar que ninguém improvisa como Letterman. O Late Show que ele apresenta é dividido em duas partes de meia hora cada. A primeira somente tiradas e quadros hilários; a segunda entrevistas curtas e quase sempre uma atração musical finalizando. E um humor violento, cruel, que se existisse no Brasil em poucos dias seria censurado pela patrulha ideológica da esquerda.

Jô escreve bem, fala bem algumas línguas, é um bom humorista, mas creio que deveria ficar no seu terreno. Suas opiniões são equivocadas, e ele é daqueles caras que exageram na ironia e no sarcasmo. Para mim, Jô Soares falando sério é muito sem graça.   

Pará: onde não vale a lei

In Comentário, Lucas on Novembro 22, 2007 at 3:23 pm

Depois dizem que é preconceito meu implicar com os grotões do norte e nordeste do Brasil. Mas não é mesmo. São tristes constatações das contradições que habitam especialmente aqueles lados. A bola da vez é o Pará. Dois episódios atraíram a atenção para este glorioso estado nos últimos dias. Podem parecer fatos isolados, mas não são.  

No mais recente, uma mocinha de aproximadamente 15 anos ficou 20 dias presa numa cela com homens. Ela afirmou que sofrera abusos e que pagava comida com sexo. O segundo episódio aconteceu há alguns dias: a governadora petista Ana Júlia Carepa baixou uma portaria que impede a polícia de executar ações de reintegração de posse de propriedades invadidas por movimentos sociais.  

Vamos à relação entre os episódios: o estupro consentido no presídio paraense é uma omissão atropelo evidente das responsabilidades sociais das autoridades. A portaria que protege o MST, segundo a governadora, também tem caráter social. Não que seja culpa da governadora a menina presa entre os homens (hoje noticia-se um segundo caso idêntico). Mas esse atropelo das leis em razão das carências sociais que ela prega é um perigo: cria-se uma cultura de tolerância, de adaptação das regras de acordo com certas necessidades e conveniências.

Se por princípio somos todos iguais perante a lei, como que alguém, defendendo certa causa, pode fazer algo que outro mortal não possa? O direito à propriedade privada inexiste quando um bando alega o direito da ocupação?

E no Pará é evidente a promíscua relação petista com esses movimentos sociais. Ambos, há alguns anos, faziam parte da mesma luta. Nasceram no mesmo berço ideológico. E hoje certos petistas insistem em favorecer seus pares fora-da-lei. Fica a contradição: como o estado do Para, que se diz tão engajado em causas sócias a ponto de atropelar a lei, tolera um insulto tão baixo aos direitos humanos?   

Venezuela, Mercosul e a corrida armamentista

In Comentário, Lucas on Novembro 22, 2007 at 2:48 pm

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou hoje a entrada da Venezuela no Mercosul (44 a 17). Esta comissão é formada por ampla maioria governista. A esperança é de que as coisas mudem no plenário da casa e especialmente no Senado, próximas instâncias de votação.

O governo afirma ser favorável devido ao grande aumento das exportações brasileiras à Venezuela nos últimos anos. Mas sabe-se que o caráter da aprovação é especialmente ideológico. Lula admira e até inveja Chávez. Ambos se criaram na doutrina socialista. Chávez, com a força do petróleo e cooptação da maioria pobre planeja implantar uma ditadura disfarçada.  Lula sabe que não conseguiria, porque as instituições democráticas ainda funcionam razoavelmente no Brasil. Na Venezuela não mais.

A questão que a oposição levanta é o ponto principal para um país pertencer ao Mercosul: o funcionamento pleno e independente das instituições democráticas. A Venezuela não é o caso, mas Chávez pretende integrar-se ao grupo com bravatas e ameaças. E no Brasil conta com o deslumbramento dos petistas. Na verdade, de todos os partidos de ideologia de esquerda: um exemplo é o PSOL, que rompeu com o governo, mas que também admira o regime venezuelano, uma versão distorcida da sonhada revolução socialista.

*

Outro aspecto polêmico envolvendo a Venezuela é a compra de armamento militar russo. O exercito brasileiro, obsoleto, aproveitou para fazer previsões de futuros conflitos. E propor o aumento do orçamento militar do Brasil. Será que Chávez conseguirá provocar uma corrida armamentista na América do Sul? Era só o que faltava nessa região tão carente em infra-estrutura, desviar dinheiro para fortalecer exércitos.

Todos sabemos que, se necessário for intervir em nossa fronteira com a Venezuela, é só chamar os EUA. A prioridade em nossas bandas tem que ser outra.

Quase mais um feriado

In Comentário, Lucas on Novembro 21, 2007 at 2:25 am

Hoje é o dia da consciência negra no Brasil. Uma data retrograda da nação. É o dia em que ignoramos nossas origens mestiças e tentamos dividir o povo em duas raças distintas. Nossa maior virtude, a miscigenação, foi esquecida: em seu lugar, uma bandeira social, que atribui pobreza e desigualdade à cor da pele. 

Hoje é o dia em que ignoramos o princípio maior da constituição, de que somos todos iguais perante a lei. Ignoramos este princípio, por exemplo, estabelecendo cotas para estudantes negros. O branco pobre que se defenda: se ele não alcançar o sucesso, é burro, incompetente. O negro não se da bem porque é oprimido. Esqueçamos por enquanto os espetáculos tragicômicos de classificação de raça nas universidades cotistas. 

Caminhamos na direção errada. Mas sabemos a quem essa suposta luta contra o racismo favorece. Ela omite a trágica educação no Brasil: ao invés de buscar a universalização do estudo, acusamos a sociedade de racista pois, supostamente, a maioria dos pobres são negros. E a culpa não é do Estado falido. É da elite branca. 

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A crítica desse espaço privilegia a imprensa, o canal por onde transitam as barbaridades do pensamento nacional. E hoje não foi diferente. Todos os telejornais mostrando os shows da cultura negra e da periferia. O discurso de Lula afirmando que o racismo é um problema cultural. Vi um rapaz afro-brasileiro na TV local fazendo propaganda das conquistas dos negros no país. Ninguém correria o risco de consultar uma opinião divergente. Seria acusado de racista pela patrulha ideológica. A imprensa se auto-policia temendo taxações golpistas.

Feliz dia da consciência negra pra você.

Outra questão de lógica

In Comentário, Lucas on Novembro 6, 2007 at 10:25 pm

José Vicente da Silva Filho é coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, ex-consultor do Banco Mundial e mais uns 3 ou 4 ícones de destaque no currículo. Ele apareceu bastante na mídia recentemente (Manhattan Connection, Folha de São Paulo) defendendo uma velha idéia, mas que parece nova por vir no embalo do filme Tropa de Elite.

José Vicente demonstra estatísticas e exercícios de lógica que devem irritar muito os humanistas da esquerda. Ele demonstra o sucesso da política de segurança pública do estado de São Paulo: lá está 40% da população carcerária brasileira apesar de o estado possuir 25% da população brasileira. São Paulo vem prendendo mais que o Brasil, e qual é  a conseqüência? Uma gradativa e considerável queda no número de homicídios.

Vamos aos dados: São Paulo deve fechar 2007 com 12 mortos para cada 100 mil habitantes. A média nacional é de 31. No Rio de Janeiro, 40 aproximadamente. No Canadá, segundo Diogo Mainardi no seu podcast de hoje, 1 e pouco.

A lógica é explicita: São Paulo vem diminuindo a violência em função da repreensão, da punição. Como José Vicente destaca em seu texto na Folha, a idéia de que prevenir e investir em ações sociais diminui a criminalidade é ingênua. Ações sociais como educação, saneamento, saúde, são importantes para a população de bem. Bandido não se converte quando o Estado lhe afaga com benefícios: o crime é uma opção moral, e não conseqüência da pobreza.

Além disso, o Brasil precisa combater a violência com ações de curto prazo. E a únicas ações eficientes, nesse caso, são as mesmas de sempre: colocar a polícia na rua, construir mais presídios e punir os bandidos. Em paralelo, claro, se investe nos demais aspectos sociais.

 Esse raciocínio óbvio, porém, causa chiliques nos intelectuais de esquerda. Eles ignoram o fato de que o cidadão deve pagar por seus atos. Eles imaginam o povo como aquela massa manipulada, o assassino como cria da sociedade desigual. Chegam ao absurdo de afirmar que a desigualdade social justifica um crime (Vide caso Rolex do Luciano Huck e as barbaridades do MST e afins). E a solução é tão simples: aplicação do Estado de Direito. Não se remedia pobreza atropelando as leis. Temos os exemplos em todo o mundo (Canadá é um, acima citado) mas insistimos em tratar segurança pública sob uma visão ideológica retrógrada.  

L

In Ficcional, Lucas on Novembro 2, 2007 at 11:57 am

Estrela da razão

Escondida atrás da nuvem

Que se chama emoção

Quando a chuva parar

Preciso da tua luz

Pra compreender a solidão

Porque se a chuva não passar

A conseqüência eminente

É cair essa estrela cadente

Que se chama coração.

Procurando um norte

In Comentário, Lucas on Novembro 1, 2007 at 2:28 am

Diga-me com quem andas e Eu te direi quem és. Bom: não compactuo com infratores. Evito ambientes onde existam canalhas, meliantes. Não porque eu siga a palavra de Deus, citada na primeira frase. Apenas uma questão de princípios que aos poucos se firma e serve de meta, de rumo.

Mais do que nós, pobres agnósticos, existe uma pessoa em especial que deveria seguir esse versinho: o célebre padre Julio Lancelotti. Primeiro ele foi à polícia pedir ajuda, pois estaria sendo extorquido. Eram 50, depois 80, depois 120 mil reais, na versão do padre. Surgiram as questões. Uma delas: por que a demora de anos para denunciar, quebrar o silêncio? Ele respondeu que queria tocar o coração da pessoa que o explorava.

Porém a defesa do rapaz, ex-interno da Febem (entidade da qual Lancelotti é funcionário), alegou que padre Julio tocava em outros locais, não o coração. E que a soma das doações (não se fala, desse lado, em extorsão) ultrapassaria 500 mil reais. Existem outras testemunhas e outros rumores sobre pedofilia, homossexualismo e demais promiscuidades. Mas o que interessa mesmo no momento é saber de onde vem toda a verba para os presentinhos.

suspeita, adivinhem, é de que o padre desviaria dinheiro de sua ONG, que recebe do governo cerca de 11 milhões de reais por ano. O padre Julio é famoso por sua defesa aos desabrigados, sua luta pelos direitos dos mendigos e especialmente notório por ser militante petista. Ele alegou que a quantia extorquida foi arrecadada a partir de poupanças e empréstimos de amigos.

Seguem as investigações. Portanto, sem maiores afirmações por enquanto. O cheiro de um romance entre o padre e o ex-interno da Febem é forte. Mas nada ainda provado. Mesmo assim, o padre já errou: andou em más companhias, presenteou um bandido diversas vezes e mentiu para a polícia. Quer dizer, não é bem uma mentira: ele vai corrigindo as informações…

Tenho certa inveja da fé cega dos crentes. Devem encontrar felicidade semelhante à dos idiotas, dos mongolóides, que vivem sempre abismados. E eu aqui, refletindo sobre a vida, triste como um galo cego, buscando um norte moral para também ter em que acreditar.