Noticia da Veja Online, hoje:
Milhares de pessoas saíram às ruas de Cartum, capital do Sudão, nesta sexta-feira, para exigir o fuzilamento da professora britânica Gillian Gibbons – condenada a 15 dias de prisão e posterior deportação por permitir que seus alunos batizassem um urso de pelúcia de Maomé. Portando faixas com os dizeres: “Sem Tolerância: Execução” e “Levem-na ao paredão de fuzilamento”, muitos dos cerca de 10.000 protestantes estavam armados com facas e bastões.
Já é uma reação normal dos muçulmanos. Lembram do episódio das charges do profeta Maomé? Muitos acreditaram ser o principio da terceira guerra. Nunca ouve nome tão sagrado para um povo como é “Maomé” para os fiéis do Islã.
O cristianismo também proíbe o uso em vão do nome de Deus. Mas a questão apontada no caso da professora é o sacrilégio. Temos isso também no cristianismo. Quem já ouviu falar no verbo “escarnecer”? É uma palavra utilizada especialmente pelos pentecostais para o ato de zombar de Deus. Dizem que é o único pecado que não tem perdão. Você pode roubar, estuprar e matar, e se você se arrepender, estará perdoado. Agora, se você é crente, pense duas vezes antes de escarnecer.
Creio que os muçulmanos julgam que a professora escarneceu o profeta Maomé. Se ela tivesse escarnecido Deus ou Jesus, acertaria as contas apenas no juízo final. Mas no islã é diferente: aqui se faz, aqui se paga. Querem a pena de morte para a moça.
É uma visão tão retrograda que chega a ser assustadora. Na verdade, os dogmatismos das religiões, se analisados sob a luz da razão e da lógica, são deveras descabidos. Mas por isso é que são dogmas. No cristianismo foi estabelecido que zombar de Deus não tem perdão. Tudo bem, é uma questão de crença. Já no islã, os fiéis impõe um regime de intolerância, de violência. Estes se julgam paladinos da justiça “divina”. É impossível a civilização como concebemos (justiça, estado de direito e especialmente a liberdade) algum dia alcançar essa gente.