Há alguns dias postei um texto sobre custos e benefícios. Acredito que nossas escolhas precisam ser medidas por essa escala de vantagens e desvantagens. Até aí nenhuma novidade. Porém, citei o caso do álcool e do tabaco. Até a dose exagerada, em determinados momentos, é aconselhável. Não sou médico mas vos prescrevo.
Retorno ao tema para citar mais um exemplo que havia esquecido: as prostitutas. Abandonadas pelo Estado e mal vistas pelas senhoras de respeito, muitas vezes nos esquecemos dos benefícios que essas mulheres oferecem. Nem todos os homens estão em condições de iniciar uma vida amorosa. Alguns traem, mas muitos foram traídos. Outros abandonados. Outros, severamente punidos pela natureza, não encontram opção. Mas ela existe (a opção) para os desafortunados: a zona.
Não pretendo escrever uma ode às prostitutas. É um simples reconhecimento. E como nada é por acaso, também pretendo usá-las; não para o prazer ou alento. Não desta vez. Relendo o post acima citado, percebi uma maneira de escrever que é deveras difícil de classificar. Um estilo de expor idéias que creio não possuir uma classificação oficial. Explico.
Ao falar das vantagens do alcool posso fazer apologia da bebida. O bom leitor perceberá que não é bem o que acontece. Ou falando das prostitutas, posso parecer um freqüentador de bordéis. Também não é (e não é mesmo!). Nesse ponto, pode parecer então uma dose de ironia: se não concordo integralmente com o que escrevo, tento repassar minha opinião afirmando o contrário. Também não é.
Percebam a ambigüidade do conteúdo. Nada naquele texto é absoluto. Pareço estar em cima do muro, mas não estou indeciso. Pareço bater, mas ao mesmo tempo afago. Pareço panfletar, fazer apologia, proselitismo, mas na verdade apenas presto algum reconhecimento ao vício, ao pecado, à vida pregressa. Tento mostrar, quase sem querer, que assim como na medicina, na linguagem escrita o antídoto também pode estar na quantidade de veneno que você aplica. Acho que é mais ou menos isso.