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Archive for Fevereiro 2008

Vivendo um novo estilo

In Comentário, Lucas on Fevereiro 12, 2008 at 8:25 am

Há alguns dias postei um texto sobre custos e benefícios. Acredito que nossas escolhas precisam ser medidas por essa escala de vantagens e desvantagens. Até aí nenhuma novidade. Porém, citei o caso do álcool e do tabaco. Até a dose exagerada, em determinados momentos, é aconselhável. Não sou médico mas vos prescrevo. 

Retorno ao tema para citar mais um exemplo que havia esquecido: as prostitutas. Abandonadas pelo Estado e mal vistas pelas senhoras de respeito, muitas vezes nos esquecemos dos benefícios que essas mulheres oferecem. Nem todos os homens estão em condições de iniciar uma vida amorosa. Alguns traem, mas muitos foram traídos. Outros abandonados. Outros, severamente punidos pela natureza, não encontram opção. Mas ela existe (a opção) para os desafortunados: a zona. 

Não pretendo escrever uma ode às prostitutas. É um simples reconhecimento. E como nada é por acaso, também pretendo usá-las; não para o prazer ou alento. Não desta vez. Relendo o post acima citado, percebi uma maneira de escrever que é deveras difícil de classificar. Um estilo de expor idéias que creio não possuir uma classificação oficial. Explico. 

Ao falar das vantagens do alcool posso fazer apologia da bebida. O bom leitor perceberá que não é bem o que acontece. Ou falando das prostitutas, posso parecer um freqüentador de bordéis. Também não é (e não é mesmo!). Nesse ponto, pode parecer então uma dose de ironia: se não concordo integralmente com o que escrevo, tento repassar minha opinião afirmando o contrário. Também não é. 

Percebam a ambigüidade do conteúdo. Nada naquele texto é absoluto. Pareço estar em cima do muro, mas não estou indeciso. Pareço bater, mas ao mesmo tempo afago. Pareço panfletar, fazer apologia, proselitismo, mas na verdade apenas presto algum reconhecimento ao vício, ao pecado, à vida pregressa. Tento mostrar, quase sem querer, que assim como na medicina, na linguagem escrita o antídoto também pode estar na quantidade de veneno que você aplica. Acho que é mais ou menos isso.

Desiludidos: compactuar ou reagir?

In Comentário, Lucas on Fevereiro 9, 2008 at 10:21 am

Quando Lula assumiu a presidência, em 2002, lembro do dilema do jornal de esquerda O Pasquim: como fazer humor e jornalismo a favor? Era uma questão pertinente. Subitamente perderam o rumo: como seriam oposição de seus companheiros de ideologia, de luta contra a ditadura?

Não era apenas uma questão de posicionamento, de postura: o jornal, que vendia bem, desapareceu. Talvez mais por vontade dos articulistas do que pela falta de leitores. Eles perceberam que o panfletismo que tomou conta daquelas páginas outrora reacionárias não era mais característico de um pasquim.  

E então o que fizeram? Não só os citados jornalistas, mas toda a classe, criada na ideologia canhota e admiradores da esquerda brasileira? Alguns, até hoje, continuam apoiando o governo, apesar dos pesares notórios. Não abandonaram antigas convicções e antigas amizades. Outros, desiludidos porém conscientes, tornaram-se oposição dos antigos aliados. Renegados e supostamente golpistas, permaneceram firmes na idéia de que imprensa é oposição. E ponto.  

É realmente frustrante sustentar uma idéia durante toda a vida e ver isso tornar-se desilusão. É pior do que uma traição. Era aquilo que você acreditava como solução das mazelas mostrar-se errado, sujo, incompetente, corrupto. E então os jornalistas, que não sabiam se apoiavam o esperado Lula no início de seu mandato, aos poucos encontraram um novo dilema: assumir que o sonho era falso ou continuar acreditando na prometida revolução? 

Compreendo em parte o atordoamento da classe. Mas não compactuo do seu drama. Erraram a vida inteira praguejando os rumos que FHC, por exemplo, dava ao país. Hoje percebem que era aquilo mesmo, tanto que é nessa continuidade que o PT acerta (privatizações e economia, por exemplo). É preciso abandonar a cartilha socialista que insistem em carregar a tira-colo. Não se pode mais admirar Hugo Chávez: o sonho acabou, mas a vida e a profissão continuam aqui, do outro lado.