Ideologia e gritaria, no mato e na roça

Dessa vez não são apenas os ufanistas. Vários políticos e comentaristas do país exaltam sua preocupação com ameaça da soberania nacional; querem nos tomar a floresta amazônica. A imprensa internacional questiona a capacidade brasileira de proteger a floresta. O jornal britânico The Independet afirmou que a Amazônia é muito importante para ficar sob controle dos brasileiros. A gritaria foi enorme. Lula, como de costume, usou o batido argumento: eles, os paises ricos, já destruíram suas florestas e agora querem cuidar da nossa.

 

Existe muita especulação, tanto dos que defendem um controle externo quanto dos áulicos da soberania. Mas sejamos honestos: o Brasil não mostra capacidade alguma para controlar a floresta amazônica. Fatos recentes como a tentativa do governo da demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol demonstram isso: o Brasil trata de maneira amadora e ideológica a questão ambiental.

 

Então o que fazer, cercar a Amazônia e proibir todos os não-índios de ficarem lá? Seria o ideal para ONGs e ambientalistas regozijarem. Mas o que falta na Amazônia é capitalismo. É o exercito nas fronteiras. É uma exploração responsável, controlada, regulamentada. Enquanto a região for tratada como intocável teremos a ilegalidade, a desordem, o crime.

 

Podemos fazer uma analogia com os canaviais. O Brasil é destaque mundial na produção de etanol. Mas no campo, especialmente nas plantações de cana-de-açúcar, o amadorismo e a ideologia proletária impedem a profissionalização dos trabalhadores. Por que a analogia? Há alguns dias, economistas internacionais culparam o aumento das plantações de cana pela alta dos alimentos. A resposta brasileira foi uma gritaria justificável, já que a acusação era injusta. Ontem a Anistia Internacional denunciou a existência de regimes de escravidão nos canaviais brasileiros. Os ufanistas interpretarão como outra ofensiva contra o nosso etanol.

 

Não seria melhor um esforço para profissionalizar esse setor? Regularizar os trabalhadores rurais, acabar com os bóias-frias e com as jornadas de 12 horas de trabalho diário, criar convênios com as indústrias de etanol. Li há alguns dias uma reportagem sobre um casal de sem-terras que, devidamente assentados, começaram a plantar cana e vender para uma cooperativa. O Incra expulsou-os da propriedade, alegando que a terra da reforma agrária deve ser usada para a subsistência, não como instrumento capitalista.

 

No Brasil, o problema ideológico que derruba o mato também enfraquece a roça.

Publicado em: on Maio 29, 2008 at 9:19 pm Comentários (0)
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Esclarecendo o que representou a luta armada

A Folha de São Paulo de hoje trás artigo esclarecedor do professor de história da UFSCar, Marco Antônio Villa. Emblemático pela clareza dos argumentos e pela coragem de ser uma voz dissonante no meio acadêmico nacional. Villa simplesmente relata os fatos sem a ótica ideológica que hoje, além de dominar as universidades, governa o país. Segue o começo do texto:

 

A LUTA armada, de tempos em tempos, reaparece no noticiário. Nos últimos anos, foi se consolidando uma versão da história de que os guerrilheiros combateram a ditadura em defesa da liberdade. Os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heróicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história. É urgente enfrentarmos essa falácia. A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, seqüestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. O regime militar acabou por outras razões.

 

Eis o ponto principal do texto: os movimentos reacionários não lutavam pela liberdade, pela democracia: lutavam, como define Villa, pela “ditadura do proletariado”. Não almejavam um ambiente democrático, o qual se alcançou devido à resistência popular, intelectual e política, como lembra o professor:

 

Conceder-lhes o estatuto histórico de principais responsáveis pela derrocada do regime militar é um absurdo. A luta pela democracia foi travada nos bairros pelos movimentos populares, na defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve na Igreja Católica um importante aliado, assim como entre os intelectuais, que protestaram contra a censura. E o MDB, nada fez? E seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados?

Villa resume a situação ao lembrar que, na época, tanto os militares quanto os militantes da luta armada eram inimigos da democracia: uns à direita, outros à esquerda. Hoje, com a ascensão ao poder, os antigos guerrilheiros exaltam sua luta, mas omitem a real intenção da luta armada (a utopia socialista). Recebem indenizações pelas perseguições que sofreram, o que pode parecer justo, mas não é: eles recorreram às armas, à luta, e perderam. Foi uma opção, como sempre lembra bem Reinaldo Azevedo, em seu blog no site veja.com. Nossos verdadeiros heróis resistiram, debateram, atuaram na política de oposição.

 

Marco Antonio Villa encerra o artigo falando sobre as indenizações e sobre a necessidade da abertura dos arquivos do regime militar, coisa que o governo refuta. E conclui:

 

Enfim, precisamos romper os tabus construídos nas últimas quatro décadas: criticar a luta armada não é apoiar a tortura, assim como atacar a selvagem repressão do regime militar não é defender o terrorismo.

 

Texto completo para assinantes da Folha e do UOL:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1905200808.htm

 

 

STOP: uma delinqüência agressiva

Levei um susto durante o intervalo comercial do Chaves, no SBT: uma música triste e a seguinte frase na tela: “Alguns governantes já admitem o final da vida na terra em alguns anos.” As frases apocalípticas eram intercaladas com imagens da natureza, especialmente das cataratas do Iguaçu. Ao final da peça, como previsto, o logotipo de uma ONG: “STOP a Destruição do Mundo”.

 

Entrei no site da STOP e fiquei mais assustado ainda. Como esperado, a ideologia do grupo é radicalmente comunista. Porém com uma esquisita adaptação: a ONG promove uma tal de “Inversão”, teoria elaborada por um tal Norberto Keppe. A inversão seria “a atitude destrutiva fundamental no ser humano, que se manifesta também na sociedade”. Segue a explicação do conceito de inversão: “O capital assumiu oficialmente posição primordial, acima da vida humana. Neste mundo invertido, o homem serve ao dinheiro, em vez de o dinheiro servir ao homem. Isso gera muita injustiça, bem como a exploração selvagem do indivíduo e da natureza. Ao mesmo tempo, a sociedade força as pessoas a serem menos ‘humanas’, incentivando o egoísmo, o materialismo e a paranóia.”

 

Meu Deus! Conforme se avança no conteúdo do site, mais você se assusta com a idéia desse senhor chamado Norberto Keppe. Além do conteúdo, tudo é obscuro e mal escrito. O logo da ONG é um olho chorando! Vejam a canalhice que encontrei num dos textos explicativos: “P.S. - No momento o poder econômico patológico dominou os poderes político, judiciário, legislativo, religioso, mediático….estabelecendo a pior de todas as ditaduras que já se teve conhecimento na historia.” Uma afirmação criminosa, uma falta de respeito à história e as milhões de vítimas das ditaduras comunistas ao redor do mundo.

 

O obscurantismo teórico e ideológico da ONG continua em qualquer link que você clicar. Por exemplo, o link comentários: são vários depoimentos com elogios exagerados ao trabalho da ONG. O mais interessante é que se preserva o nome de quem comentou: são divulgadas as inicias do nome, as vezes a profissão, e a cidade. Exemplos:

 

“Estou aqui na Venezuela e aproveito sempre quando posso divulgar o trabalho da STOP a destruiçao do Mundo..”
A. D. B. – Venezuela

 

 “Bom…eu só tenho a agradecer pela boa ação que vocês vêm fazendo e parabenizá-los…de verdade…parabéns e continuem sendo assim, uma organização séria, com ação em todo o mundo…obrigado…”
A. K. - Estudante - Giruá - RS – Brasil

 

 “Esta causa é nobre!”
J. N. de C. - Professor - João Pessoa - PB – Brasil

 

“Conheci este trabalho na Sesctv, achei importantíssimo! Conscientização é necessária e urgente. Lido com público, sou taxista, vou contribuir com pouco em dinheiro e muito mais divulgando dentro do meu taxi com meus passageiros. Trabalho em Brasília tenho contato com gente do país inteiro. Um abraço e parabéns.”
J. G. L. - Taxista - Luziânia - GO – Brasil

 

Taxista! Coitado de quem andar no Táxi deste senhor! Se é que ele existe, pois desconfio que esses comentários são falsos. Por que omitir o nome de quem comentou? É tudo obscuro, apelativo, quase assustador. Mas escrevi este texto para falar da minha indignação com a delinqüência intelectual desta ONG. Colocar uma propaganda apelativa, falsa, apocalíptica, num horário em que tantas crianças assistem a um programa infantil é covardia. Se eu me assustei, imagine uma criança lendo isso: “Alguns governantes já admitem o final da vida na terra em alguns anos.” Que governantes? Al Gore?

 

Este tipo de propaganda precisa ser impedida. E que papel o do SBT… Estão precisando tanto de dinheiro para inserir tal agressão no horário do Chaves? Um canal minimamente sério colocaria este anúncio, no mínimo, em outro horário. Um canal sério colocaria no lixo. Jamais permitiria ofender seu público com tamanha delinqüência, sem nenhum dado concreto, apenas com uma seqüência de imagens apelativas e frases totalmente mentirosas.

 

Uma ultima incoerência: a cada link que você acessa do site da STOP, aparece um banner de um site de jogos eletrônicos. No mínimo irônico para quem abomina de tal maneira o capitalismo. Divirta-se:

 

http://www.stop.org.br        

Publicado em: on Maio 18, 2008 at 11:47 pm Comentários (2)
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Os presos também exigem

Vivemos dias perigosos. Vejam o caso da morte de Isabella Nardoni. O fato: a barbárie cometida pelo pai e pela madrasta (ou alguém ainda duvida de que foram eles?). Conforme a investigação avançava, era natural de se esperar a comoção e a reação pública. É inerente ao ser humano sentir dó, enxergar a covardia, o mal, e manifestar revolta, cobrar punição aos culpados. Pronto, a introdução termina aqui. Vamos ao motivo destas linhas.

 

Já é rotineiro ouvir a seguinte frase nos telejornais: “o suspeito foi transferido porque os detentos não queriam sua presença no presídio”. O que pensamos num momento desses? Talvez até pareça natural: a população está revoltada com o crime, exige punição. A massa carcerária também, já que nem todos cometeram crimes hediondos, já que também ficam revoltados com crimes de tamanha maldade.

 

O problema é essa justiça com as próprias mãos que os presos ameaçam cometer. Nossos presídios são tão inseguros que manter Alexandre Nardoni próximo aos demais detentos é temeroso. Mesmo se mantido isolado, os presos exigem que ele não permaneça na mesma penitenciaria. Exigem? É, aqui está o foco deste texto. Qual é o direito dos infratores de exigir quem pode ou não permanecer no seu local de confinamento?

 

Tudo bem, sejamos compreensivos: eu também odiaria dividir o presídio com ele. É natural que o crime de Alexandre é pior, mais cruel que o dos demais. Mas quando a justificativa para transferir um detento é a de que os demais presos exigiram… bem, daí temos a certeza de que há algo errado. Chegaríamos ao limite de criar uma prisão para parricidas e infanticidas? Tudo bem, quanto mais presídios melhor. Mas, enquanto isso, é fundamental que os encarcerados não se esqueçam: numa nação justa, todos os caminhos do crime devem levar ao xilindró. Conviver próximo a Alexandre Nardoni ou Anna Carolina Jatobá é também uma conseqüência dos erros cometidos. Resumindo, não estão em posição de fazer exigências.         

Publicado em: on Maio 14, 2008 at 1:00 am Comentários (0)
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O companheiro Dirceu explica

Quase inacreditável as bobagens que José Dirceu escreve em seu blog. Quanto cinismo e hipocrisia, minha gente! Separei um trecho apenas: vejam como ele desqualifica o fato de um funcionário da Casa Civil ter vazado informações à oposição:

 

Parece-me, assim, totalmente inverossímil que um petista histórico como a imprensa registra, envie para um senador da oposição, via um assessor, documento com dados que seriam usados contra o governo e seu partido, como o foi durante esses dois últimos meses em campanha da mídia e da oposição sobre o chamado “dossiê” e o uso dos cartões corporativos.

 

Deixemos de lado a má colocação das virgulas e os períodos quilométricos. De lado também a costumeira crítica à “mídia”. Bem mais grave que isso é a tentativa amadora de esconder a real intenção do arquivo enviado à oposição. Por que será que um “petista histórico” enviaria um dossiê para um tucano? Ora, para realizar a chantagem! Para o dossiê servir ao seu fim: intimidar.

 

Mas tudo bem, já conhecemos a malandragem petista. Mesmo assim podemos confrontar a afirmação de Dirceu com o resultado da perícia dos computadores. Vem comigo: é fato que o e-mail com o dossiê em anexo partiu da Casa Civil, do computador de José Aparecido Nunes Pires. Se não foi intenção do PT intimidar a oposição, por que enviá-lo ao senador tucano? José Aparecido agiu por conta própria, sem a intenção da chantagem?

 

Então concluímos: José Aparecido Nunes Pires não é um companheiro! Eu que sou.  

Blog do rapaz: http://www.zedirceu.com.br/

Publicado em: on Maio 9, 2008 at 8:06 pm Comentários (0)