Os presos também exigem
Vivemos dias perigosos. Vejam o caso da morte de Isabella Nardoni. O fato: a barbárie cometida pelo pai e pela madrasta (ou alguém ainda duvida de que foram eles?). Conforme a investigação avançava, era natural de se esperar a comoção e a reação pública. É inerente ao ser humano sentir dó, enxergar a covardia, o mal, e manifestar revolta, cobrar punição aos culpados. Pronto, a introdução termina aqui. Vamos ao motivo destas linhas.
Já é rotineiro ouvir a seguinte frase nos telejornais: “o suspeito foi transferido porque os detentos não queriam sua presença no presídio”. O que pensamos num momento desses? Talvez até pareça natural: a população está revoltada com o crime, exige punição. A massa carcerária também, já que nem todos cometeram crimes hediondos, já que também ficam revoltados com crimes de tamanha maldade.
O problema é essa justiça com as próprias mãos que os presos ameaçam cometer. Nossos presídios são tão inseguros que manter Alexandre Nardoni próximo aos demais detentos é temeroso. Mesmo se mantido isolado, os presos exigem que ele não permaneça na mesma penitenciaria. Exigem? É, aqui está o foco deste texto. Qual é o direito dos infratores de exigir quem pode ou não permanecer no seu local de confinamento?
Tudo bem, sejamos compreensivos: eu também odiaria dividir o presídio com ele. É natural que o crime de Alexandre é pior, mais cruel que o dos demais. Mas quando a justificativa para transferir um detento é a de que os demais presos exigiram… bem, daí temos a certeza de que há algo errado. Chegaríamos ao limite de criar uma prisão para parricidas e infanticidas? Tudo bem, quanto mais presídios melhor. Mas, enquanto isso, é fundamental que os encarcerados não se esqueçam: numa nação justa, todos os caminhos do crime devem levar ao xilindró. Conviver próximo a Alexandre Nardoni ou Anna Carolina Jatobá é também uma conseqüência dos erros cometidos. Resumindo, não estão em posição de fazer exigências.
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