Esclarecendo o que representou a luta armada

A Folha de São Paulo de hoje trás artigo esclarecedor do professor de história da UFSCar, Marco Antônio Villa. Emblemático pela clareza dos argumentos e pela coragem de ser uma voz dissonante no meio acadêmico nacional. Villa simplesmente relata os fatos sem a ótica ideológica que hoje, além de dominar as universidades, governa o país. Segue o começo do texto:

 

A LUTA armada, de tempos em tempos, reaparece no noticiário. Nos últimos anos, foi se consolidando uma versão da história de que os guerrilheiros combateram a ditadura em defesa da liberdade. Os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heróicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história. É urgente enfrentarmos essa falácia. A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, seqüestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. O regime militar acabou por outras razões.

 

Eis o ponto principal do texto: os movimentos reacionários não lutavam pela liberdade, pela democracia: lutavam, como define Villa, pela “ditadura do proletariado”. Não almejavam um ambiente democrático, o qual se alcançou devido à resistência popular, intelectual e política, como lembra o professor:

 

Conceder-lhes o estatuto histórico de principais responsáveis pela derrocada do regime militar é um absurdo. A luta pela democracia foi travada nos bairros pelos movimentos populares, na defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve na Igreja Católica um importante aliado, assim como entre os intelectuais, que protestaram contra a censura. E o MDB, nada fez? E seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados?

Villa resume a situação ao lembrar que, na época, tanto os militares quanto os militantes da luta armada eram inimigos da democracia: uns à direita, outros à esquerda. Hoje, com a ascensão ao poder, os antigos guerrilheiros exaltam sua luta, mas omitem a real intenção da luta armada (a utopia socialista). Recebem indenizações pelas perseguições que sofreram, o que pode parecer justo, mas não é: eles recorreram às armas, à luta, e perderam. Foi uma opção, como sempre lembra bem Reinaldo Azevedo, em seu blog no site veja.com. Nossos verdadeiros heróis resistiram, debateram, atuaram na política de oposição.

 

Marco Antonio Villa encerra o artigo falando sobre as indenizações e sobre a necessidade da abertura dos arquivos do regime militar, coisa que o governo refuta. E conclui:

 

Enfim, precisamos romper os tabus construídos nas últimas quatro décadas: criticar a luta armada não é apoiar a tortura, assim como atacar a selvagem repressão do regime militar não é defender o terrorismo.

 

Texto completo para assinantes da Folha e do UOL:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1905200808.htm

 

 

Publicado em: on Maio 19, 2008 at 7:23 pm
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