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Ideologia e gritaria, no mato e na roça

In Comentário, Lucas on Maio 29, 2008 at 9:19 pm

Dessa vez não são apenas os ufanistas. Vários políticos e comentaristas do país exaltam sua preocupação com ameaça da soberania nacional; querem nos tomar a floresta amazônica. A imprensa internacional questiona a capacidade brasileira de proteger a floresta. O jornal britânico The Independet afirmou que a Amazônia é muito importante para ficar sob controle dos brasileiros. A gritaria foi enorme. Lula, como de costume, usou o batido argumento: eles, os paises ricos, já destruíram suas florestas e agora querem cuidar da nossa.

 

Existe muita especulação, tanto dos que defendem um controle externo quanto dos áulicos da soberania. Mas sejamos honestos: o Brasil não mostra capacidade alguma para controlar a floresta amazônica. Fatos recentes como a tentativa do governo da demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol demonstram isso: o Brasil trata de maneira amadora e ideológica a questão ambiental.

 

Então o que fazer, cercar a Amazônia e proibir todos os não-índios de ficarem lá? Seria o ideal para ONGs e ambientalistas regozijarem. Mas o que falta na Amazônia é capitalismo. É o exercito nas fronteiras. É uma exploração responsável, controlada, regulamentada. Enquanto a região for tratada como intocável teremos a ilegalidade, a desordem, o crime.

 

Podemos fazer uma analogia com os canaviais. O Brasil é destaque mundial na produção de etanol. Mas no campo, especialmente nas plantações de cana-de-açúcar, o amadorismo e a ideologia proletária impedem a profissionalização dos trabalhadores. Por que a analogia? Há alguns dias, economistas internacionais culparam o aumento das plantações de cana pela alta dos alimentos. A resposta brasileira foi uma gritaria justificável, já que a acusação era injusta. Ontem a Anistia Internacional denunciou a existência de regimes de escravidão nos canaviais brasileiros. Os ufanistas interpretarão como outra ofensiva contra o nosso etanol.

 

Não seria melhor um esforço para profissionalizar esse setor? Regularizar os trabalhadores rurais, acabar com os bóias-frias e com as jornadas de 12 horas de trabalho diário, criar convênios com as indústrias de etanol. Li há alguns dias uma reportagem sobre um casal de sem-terras que, devidamente assentados, começaram a plantar cana e vender para uma cooperativa. O Incra expulsou-os da propriedade, alegando que a terra da reforma agrária deve ser usada para a subsistência, não como instrumento capitalista.

 

No Brasil, o problema ideológico que derruba o mato também enfraquece a roça.