Se eu pudesse desejar algo a você em 2009, diria o seguinte: que você seja uma pessoa ao extremo. Não extremamente alcoólatra ou extremamente abstêmio. Ou extremamente fiel ou extremamente promíscuo. Falo em sonhos, em perspectivas, falo especificamente nas promessas furadas do final de ano. Aquelas: em 2009 estudarei muito, serei compreensivo, vou amar minha mulher, entre outras bobagens. Já pensou se promessa realmente fosse dívida?
Enfim, o objetivo destas linhas é falar sobre modos, estilos de vida. E os extremos aos quais me refiro são esses: uma pessoa extremamente determinada, que eliminou a preguiça, a timidez, o medo e traça metas, objetivos. Uma pessoa que não apenas sonha, mas planeja essa realização. E o seu oposto: um completo indiferente. Sem perspectivas, sem planos, sem ilusões. Um barco à deriva. Um ser em permanente abstração, imune às agruras da vida. Desejo, sinceramente, que você seja um ou outro, para eu poder te admirar.
O determinado encontrará obstáculos, desilusões, mas fará o impossível para superá-los. Vai cair, vai usar a razão, refletir, erguer-se, lutar e invariavelmente vencer. É a aparente recompensa do universo para esse tipo de gente. Já o indiferente não vai se incomodar. O circo pegará fogo e ele estará deitado na grama, enxergando formas nas nuvens. Pra que lutar se ele não quer nada? Qual o sentido de correr tanto num mundo desesperadamente carente de sentidos?
Não sei qual dos dois é melhor. Mas sei qual é o pior: o meio-termo, ou seja, eu e você. Esse ser desprezível que, no dia 31 de dezembro de 2008, dormiu cheio de planos e acordou de ressaca, esquecido de tudo. Talvez tentou tornar o primeiro do ano um dia diferente, ou “o começo de uma nova vida”, como dizem. Mas o segundo do ano foi o limite da ilusão, e tudo voltou ao normal, à avassaladora rotina.
Somos assim, meio batalhadores, meio conformistas. Somos acometidos pelo mal do acomodamento: a mesma mulher, porque é cômodo, apesar de não suportá-la, o mesmo chefe, porque é cômodo, apesar de esganar-lhe em pensamento, o mesmo corpo, apesar de evitar o espelho, a mesma melancolia, os mesmos receios, a mesma vidinha.
Resumindo a idéia e o desejo deste escriba: que em 2009 você se aproxime de um dos extremos! Não importa qual: será nobre, admirado. É o ápice do individualismo, uma escolha sincera de vida, a rejeição da imbecilidade coletiva. Evidente que será impossível atingir os extremos, porque somos humanos. Desistimos ao presenciar obstáculos muito grandes, como aqueles cavalos nas olimpíadas. Ao mesmo tempo, nos preocupamos com picuinhas insignificantes, que nos tiram o sono e a fome. Mas essa jornada, essa busca pelo extremo já será um grande feito. Ou então esqueça tudo e permaneça ao meu lado, nessa vida de atroz meio-termo: lutando, mas logo desistindo; aparentemente indiferente, mas com remorsos e rancores devidamente escondidos no coração.