Fumante brasileiro: devido à nova medida de incentivo à economia, você deverá pagar mais caro pelo cigarro que fuma. Com o corte do IPI dos materiais de construção, sobrou para o fumo. De algum lugar o governo precisa arrecadar. Não é a primeira vez que os fumantes pagam a conta. E não reclamam, culpados pelo vício e acuados pela opinião pública, de maioria não-fumante.
A desculpa do governo é absurdamente paradoxal: vamos aumentar a taxação do cigarro para que as pessoas fumem menos. Opa! Se as pessoas pararem de fumar, o governo não vai arrecadar o que pretende. Claro, eles sabem que ninguém vai parar de fumar por causa do aumento. Como sempre, os fumantes que sentem o reajuste migram para marcas mais baratas ou, pior, para o contrabando de cigarro paraguaio. A desculpa da questão de saúde pública não resiste à lógica.
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Há alguns dias dormi mal de novo. No Bom Dia Brasil, acompanhei a entrevista da ministra e já candidata à sucessão presidencial, Dilma Roussef. Falou banalidades, defendendo a construção de um milhão de casas populares prometidas pelo governo. Aquelas que o Lula disse: Farei, mas não me cobrem prazos! É o que eu falo a minha mãe: casarei, mas não me pergunte quando!
Tem gente que gosta de caras novas na política. Dilma é uma cara nova. Não uma pessoa nova na política, só a cara: está bastante modificada pelas intervenções plásticas. Nada contra, a cara é dela. Mas perdeu as expressões, as nuances que observamos no comportamento do rosto humano. Dilma arregala o olho, engrossa a voz, mas só fala bobagens. Esbanja uma confiança inexistente.
Porém, essa atitude parece intimidar alguns. Alexandre Garcia, sempre contundente, parecia pequeno diante da ministra. Não foi questionada, apenas discursou. Garcia até consentiu com algo que ela falou sobre a oposição. Estava à vontade, como nos palanques de inauguração de terraplanagens e estradas de terra. O que acontece antes, eu casar ou Lula erguer um milhão de casas? Se for um milhão de casas que respeitem um urbanismo básico, eu caso antes.
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Escandalosa a prisão preventiva da proprietária da Daslu, Eliana Tranchesi. Ela foi condenada a 94 anos de prisão devido a esquemas de sonegação de impostos. Simplificando: peças importadas por 150 dólares declaradas a 20. É um crime, merece punição, multa, aquele susto. Mas, para efeito de comparação: o traficante Marcola, aquele bandido metido a intelectual, cumpre pena de 30 e poucos anos de prisão.
Não vou criticar aqui a severidade da pena. Isso é questão para juristas: repensar as punições de acordo com a gravidade do crime. O que eu posso comentar é a evidente caça aos ricos que acontece no país. Essa batalha ideologia aparelhou a justiça: como exemplo, o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes Queiros, este um lunático. Querem fazer justiça social a todo custo. Querem resolver, atropelando os métodos legais, aquilo que ouvimos desde sempre: no Brasil, rico não é preso.
Eliana conseguiu um hábeas corpus. Por sorte é minoria quem usa artifícios legais para promover essa espécie de justiça social.