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	<title>Peru de Fora</title>
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		<title>Peru de Fora</title>
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		<title>Um Brás Cubas sem dotes implora compreensão</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 04:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>

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		<description><![CDATA[Na nova propaganda da Brahma, Ronaldo Nazário afirma que tudo o que conquistou foi com muito suor. Acredito que seja verdade. O que me faz escrever estas linhas, no entanto, é essa necessidade do ser humano (e o brasileiro notoriamente) de vangloriar-se das dificuldades superadas. E de ser aceito, considerado por isso. O cidadão que diz [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=124&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na nova propaganda da Brahma, Ronaldo Nazário afirma que tudo o que conquistou foi com muito suor. Acredito que seja verdade. O que me faz escrever estas linhas, no entanto, é essa necessidade do ser humano (e o brasileiro notoriamente) de vangloriar-se das dificuldades superadas. E de ser aceito, considerado por isso. O cidadão que diz “tudo o que tenho conquistei com muito esforço” torna-se, nessa retórica perturbada, moralmente superior àquele que, como eu, não teve grandes dificuldades em suas conquistas.</p>
<p>Deve ser realmente interessante lutar e vencer, ter se dedicado muito e conquistado, etc. Também eu, em lapsos raros da minha herdada estabilidade, saboreei pequenas vitórias. Imensamente menos freqüentes que os fracassos, mas, admito, jubilosas. A diferença entre este cínico e os batalhadores é a de que não utilizo essas conquistas para justificar minha condição. E mais: a “sociedade” que eles tanto recriminam é quem nos força (nós, os mais favorecidos) a sermos competitivos, batalhadores. Fidalgos como eu, por diversas vezes, nos sentimos culpados, como se a herança de estabilidades (financeira, especialmente) fosse um fardo, um castigo. Honesto seria renegar o patrimônio e começar do zero, como os pobres fazem diariamente.</p>
<p>Fenômeno exemplar ocorre no caso do câncer de Dilma Rousseff. O PT, na sua célebre amoralidade, já começa a tirar proveito político da situação. Acreditam até que o percentual da pré-candidata deve subir nas próximas pesquisas. Por que? Porque o brasileiro, esse bicho incomum, enxerga valores superiores naqueles que enfrentam e superam barreiras na vida. Dilma é inexperiente e ex-comunista armada? É, mas ela venceu um câncer. Fica difícil encontrar uma lógica nisso. Mas é assim que as coisas funcionam: o batalhador se torna superior ao grã-fino preparado, letrado, que cometeu o escandaloso crime de ser sustentado pelo pai.</p>
<p>Por isso admiro tanto Brás Cubas, aquele defunto cínico que considerou, como ponto positivo da vida, nunca ter suado para ganhar seu sustento. Admiro Quincas Borba, o adorável amigo e filósofo maluco que não hesitava em legalizar moralmente as extravagâncias de Brás Cubas. Eu preciso desesperadamente de um Quincas Borba, Brás Cubas indolente que sou. Para me explicar seus tratados, justificar meus erros, consolar minhas angústias com sabedoria, método e loucura. Eu enxeria seus bolsos de dinheiro, seria meu guia exclusivo, e colheríamos então os frutos abundantes da minha fidalguia sem peso algum na consciência.</p>
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		<title>Pobre Paraguai</title>
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		<comments>http://perudefora.wordpress.com/2009/04/28/pobre-paraguai/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 01:33:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Lugo]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[Paraguai]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o novo presidente do Paraguai foi eleito, muito se comemorou a queda do partido que dominou o país por mais de meio século. Parecia uma luz que começava a brilhar: será que enfim o Paraguai sairia das trevas e rumaria ao desenvolvimento? Claro que apenas os incautos acreditaram nisso: as origens de Fernando Lugo e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=121&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Quando o novo presidente do Paraguai foi eleito, muito se comemorou a queda do partido que dominou o país por mais de meio século. Parecia uma luz que começava a brilhar: será que enfim o Paraguai sairia das trevas e rumaria ao desenvolvimento? Claro que apenas os incautos acreditaram nisso: as origens de Fernando Lugo e suas promessas de campanha já indicavam o pior. E agora, para escândalo da nação, três mulheres vieram a público informar que o presidente é pai de seus filhos. Um dos bastardos ele já assumiu, e o do caso mais grave: o que foi concebido enquanto Lugo ainda era bispo. Como confiar em alguém que copulou de batina?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Lugo foi eleito sustentando duas bandeiras: a revisão do contrato de Itaipu, o qual considera injusto (o Brasil estaria pagando muito pouco ao Paraguai) e a expulsão dos agricultores brasileiros das terras fronteiriças. A primeira questão é diplomática e de fácil resolução. E a perspectiva paraguaia é boa, conhecendo o perfil do Itamaraty, facilmente ludibriado, facilmente colocado em posição favorável ao querelante, especialmente quando a disputa é travada com um companheiro de ideologia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Já a segunda é escandalosamente ilegal. Digna de intervenção militar. Intervenção do exercito brasileiro, já que cidadãos brasileiros são ameaçados no país vizinho. Os agricultores tupiniquins, responsáveis por boa parte da parca riqueza do país, são tratados como inimigos da nação, latifundiários gananciosos, algozes dos sem-terra paraguaios. Famílias há décadas estabelecidas no Paraguai correm o risco de perder tudo. O Itamaraty, ajoelhado, não faz nada. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O Brasil tem uma parcela de culpa pela miséria do vizinho: manter aberta a ponte da amizade, em Foz do Iguaçu. O local exige intervenção militar e ações políticas que acabem com o tráfico, a falsificação, a sonegação e os demais e diversos crimes que lá acontecem. É um antro de ilegalidade ignorado há décadas pelos dois países. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Poderia, assim, discorrer sobre a lastimável situação atual do Paraguai. Mas&#8230; atual? Desde sempre os vizinhos enfrentam um destino miserável. Quem afirma que o Paraguai pré-guerra do Paraguai era uma cornucópia mente. Era uma ditadura que, vá lá, foi cruelmente abolida. Desde então, o Paraguai consolidou-se como o mais miserável dos vizinhos, e então sinônimo de corrupção, picaretagem e falsificação. A guerra do Paraguai serve como excelente desculpa: era um país promissor, era o primeiro mundo na América do Sul. Mas a ganância imperialista temia essa potência emergente. Assim, os impérios acionaram seus acólitos para destruir o Paraguai. E por isso o país é hoje miserável. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">E assim justifica-se a própria miséria e a história vergonhosa da maneira mais fácil: culpando terceiros. O Paraguai é digno de pena. Fernando Lugo, que acreditavam ser o redentor, apenas corrobora para a manutenção do estereótipo paraguaio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
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		<title>Vícios, caras novas e um lunático</title>
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		<comments>http://perudefora.wordpress.com/2009/03/31/vicios-caras-novas-e-um-lunatico/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 02:34:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>

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		<description><![CDATA[Fumante brasileiro: devido à nova medida de incentivo à economia, você deverá pagar mais caro pelo cigarro que fuma. Com o corte do IPI dos materiais de construção, sobrou para o fumo. De algum lugar o governo precisa arrecadar. Não é a primeira vez que os fumantes pagam a conta. E não reclamam, culpados pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=119&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Fumante brasileiro: devido à nova medida de incentivo à economia, você deverá pagar mais caro pelo cigarro que fuma. Com o corte do IPI dos materiais de construção, sobrou para o fumo. De algum lugar o governo precisa arrecadar. Não é a primeira vez que os fumantes pagam a conta. E não reclamam, culpados pelo vício e acuados pela opinião pública, de maioria não-fumante.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A desculpa do governo é absurdamente paradoxal: vamos aumentar a taxação do cigarro para que as pessoas fumem menos. Opa! Se as pessoas pararem de fumar, o governo não vai arrecadar o que pretende. Claro, eles sabem que ninguém vai parar de fumar por causa do aumento. Como sempre, os fumantes que sentem o reajuste migram para marcas mais baratas ou, pior, para o contrabando de cigarro paraguaio. A desculpa da questão de saúde pública não resiste à lógica. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">*</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Há alguns dias dormi mal de novo. No Bom Dia Brasil, acompanhei a entrevista da ministra e já candidata à sucessão presidencial, Dilma Roussef. Falou banalidades, defendendo a construção de um milhão de casas populares prometidas pelo governo. Aquelas que o Lula disse: Farei, mas não me cobrem prazos! É o que eu falo a minha mãe: casarei, mas não me pergunte quando!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Tem gente que gosta de caras novas na política. Dilma é uma cara nova. Não uma pessoa nova na política, só a cara: está bastante modificada pelas intervenções plásticas. Nada contra, a cara é dela. Mas perdeu as expressões, as nuances que observamos no comportamento do rosto humano. Dilma arregala o olho, engrossa a voz, mas só fala bobagens. Esbanja uma confiança inexistente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Porém, essa atitude parece intimidar alguns. Alexandre Garcia, sempre contundente, parecia pequeno diante da ministra. Não foi questionada, apenas discursou. Garcia até consentiu com algo que ela falou sobre a oposição. Estava à vontade, como nos palanques de inauguração de terraplanagens e estradas de terra. O que acontece antes, eu casar ou Lula erguer um milhão de casas? Se for um milhão de casas que respeitem um urbanismo básico, eu caso antes.<span>  </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">*</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Escandalosa a prisão preventiva da proprietária da Daslu, Eliana Tranchesi. Ela foi condenada a 94 anos de prisão devido a esquemas de sonegação de impostos. Simplificando: peças importadas por 150 dólares declaradas a 20. É um crime, merece punição, multa, aquele susto. Mas, para efeito de comparação: o traficante Marcola, aquele bandido metido a intelectual, cumpre pena de 30 e poucos anos de prisão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Não vou criticar aqui a severidade da pena. Isso é questão para juristas: repensar as punições de acordo com a gravidade do crime. O que eu posso comentar é a evidente caça aos ricos que acontece no país. Essa batalha ideologia aparelhou a justiça: como exemplo, o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes Queiros, este um lunático. Querem fazer justiça social a todo custo. Querem resolver, atropelando os métodos legais, aquilo que ouvimos desde sempre: no Brasil, rico não é preso.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Eliana conseguiu um hábeas corpus. Por sorte é minoria quem usa artifícios legais para promover essa espécie de justiça social. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span> </span><span> </span><span>  </span></span></span></p>
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		<title>Outra morte me diminuiu. Mas nem tanto.</title>
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		<comments>http://perudefora.wordpress.com/2009/03/19/outra-morte-me-diminuiu-mas-nem-tanto/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 00:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Clodovil]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois é, Clodovil também morreu. E o que dizer? Difícil. Na parte que me toca, apenas aquilo que escrevi no último texto, sobre a morte do jornalista Fausto Wolff: toda morte me diminuiu. Qualquer morte escancara nossa condição nada perene. Além disso, apenas simples lembranças: morreu aquele cara extravagante porém carismático, das frases polêmicas porém inócuas, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=117&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Pois é, Clodovil também morreu. E o que dizer? Difícil. Na parte que me toca, apenas aquilo que escrevi no último texto, sobre a morte do jornalista Fausto Wolff: toda morte me diminuiu. Qualquer morte escancara nossa condição nada perene. Além disso, apenas simples lembranças: morreu aquele cara extravagante porém carismático, das frases polêmicas porém inócuas, o qual encontrávamos por acaso, nos momentos ociosos ta tarde, ao fazer a rota dos canais de TV. Mas depois que o cortejo passar, o que fica de Clodovil?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Com todo respeito, pouca coisa, quase nada. Clodovil é o exemplo de alguns vícios da sociedade, do ser humano em geral. Representava mais do que ninguém o estereótipo do homossexual orgulhoso, assumido. Gritava, gesticulava, trejeitava, exagerando na sua arrogância. Será que sabia que era um personagem de si mesmo? Creio que sim, porque era uma mostra do ridículo chamado orgulho gay. Essa encenação teatral de algo que deveria ser natural, mas que preferem ser chocante. Só às minorias se concede o direito a essa expressão rebelde. Se alguém falar em orgulho heterossexual, ou orgulho branco, será, talvez justamente, taxado de machista e racista. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Outro fenômeno observado em Clodovil, talvez um dos mais graves, é o efeito colateral da liberdade de opinião. Não sou contra, óbvio. Mas perdemos as autoridades em determinados assuntos: pior, criamos um sistema de comunicação em que qualquer um opina sobre o que quiser, entendendo ou não. E nisso Clodovil era especialista: falar as mais diversas bobagens sobre o que lhe desse na telha. Suas súditas donas de casa ainda bradavam: “Esse sim fala o que pensa!”. Pena que seu pensamento era tão pobre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">E assim o nosso célebre rapaz foi à política: quarto deputado federal mais votado do Brasil. Já escrevi sobre isso, aqui no blog: é o trágico caso do voto avacalhado. Deputado federal? Sei lá, vou votar no Clodovil, ou no Enéas! Ambos figuras célebres, personagens do ridículo, doravante oficialmente levados a sério. Agora não mais, pois ambos já falecidos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Não sei o que vai ficar de Clodovil. Desconheço sua contribuição à alta costura. Mas deve ser o único lugar onde talvez tenha sido relevante. Ademais, apenas colaborou para o medonho estereótipo do homossexual moderno e para a difusão de opiniões irrelevantes (com um disfarce polêmico, diga-se) nos meios de comunicação. Foi com certeza um expoente do nosso momento contemporâneo, onde um imbecil pode falar asneiras e ser levado a sério. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Sendo assim, será que um branquinho e machista do século 21 não consegue aproveitar essa realidade decadente e ser lido e levado a sério? É, no fim das contas quem sabe Clodovil me concerne mais do que eu imagino.<span>  </span><span>  </span></span></span></p>
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		<title>Qualquer morte me diminui</title>
		<link>http://perudefora.wordpress.com/2009/02/26/qualquer-morte-me-diminui/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 02:49:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lucas]]></category>
		<category><![CDATA[Fausto Wolff]]></category>

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		<description><![CDATA[Busquei a mulher em sua casa. Era uma sexta-feira qualquer de 2008. Antes de sair, deixei tudo pronto: um colchão em frente ao (propositalmente?) desconfortável sofá. Na chegada, falaria: eu estava aí deitado. Os drinks previamente pensados, cada bagunça deliberadamente ambientada: sou um pouco artista plástico nessas horas. Penso que a moça vai perceber a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=114&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Busquei a mulher em sua casa. Era uma sexta-feira qualquer de 2008. Antes de sair, deixei tudo pronto: um colchão em frente ao (propositalmente?) desconfortável sofá. Na chegada, falaria: eu estava aí deitado. Os drinks previamente pensados, cada bagunça deliberadamente ambientada: sou um pouco artista plástico nessas horas. Penso que a moça vai perceber a harmonia entre os objetos e descobrir <span> </span>o belo entre a mobília.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Ao chegar, liguei a TV em qualquer canal, o volume baixo: o perfeito abajur para os amantes indiferentes. Deitados, buscando melhores carícias e toques mais ousados, ouço a notícia: morreu hoje o jornalista e escritor Fausto Wolff. Na hora ignorei, mas sabia que mais tarde sentiria. Fausto sempre teve fama de alcoólatra. Ouvia notícias a respeito de sua saúde debilitada. Porém, naquele momento, ignorei. Fausto Wolff era, e ainda é, menos importante do que qualquer mulher. (O que não é?)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Fui leitor incondicional de Fausto Wolff nos tempos do Pasquim 21, relançamento do clássico periódico de oposição ao regime militar. Até simpatizei com suas idéias comunistas por algum tempo. Mas o que realmente me encantava era a clareza do seu texto. As palavras fluíam de maneira incrível. Eu queria ser como Fausto Wolff: escrever de forma magistral e beber muito. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Mas Fausto ficou para trás. Tentei ler alguns de seus livros de ficção, mas não eram bons. Durante anos busquei textos e notícias sobre ele, mas sempre com pouco sucesso. Até que um dia desisti. Suspeitei que já estivesse morto. Além disso, percebi as falácias do pensamento socialista que ele fazia apologia. E me tornei o atual direitista desumano e intransigente. Eu esqueci e não procurei mais saber nada a respeito de Fausto Wolff ou de suas idéias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Mas eu juro que constantemente um pensamento me assolava: ele vai morrer logo. Ele bebe demais. Ele é ranzinza demais. Ele está profundamente desiludido com o Lula. E ele morreu. Não abri os olhos. Não movi as mãos do lugar onde elas estavam. Não tive nenhuma reação, a não ser a já mencionada, aquilo que eu pensei: vou sentir isso mais tarde.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Por que escrevo sobre Fausto Wolff tão tarde, meses depois de seu falecimento? Não sei. Era uma dívida que eu tinha com o dono daquele texto perfeito? Talvez. Mas o que me fez lembrar de Fausto hoje foi uma história que ouvi: um velho que ficou doente após a morte do seu cão. Doente de saudade? Talvez. Mas o que mais dói é aquela velha constatação: qualquer morte nos diminui. A morte do cão nos faz pensar no tempo e nos diminui. A morte de Fausto, a agradável leitura semanal de outrora, me diminui. A simples lembrança da morte me diminui. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Apesar da irremediável melancolia, creio que Fausto Wolff, incorrigível mulherengo, ficaria satisfeito em saber que não larguei da mulher para lamentar sua partida. Meu coração saberia a hora de assimilar a perda: mais tarde, e em segredo.<span>   </span><span>   </span><span> </span></span></span></p>
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		<title>Quem sabe o último contrato</title>
		<link>http://perudefora.wordpress.com/2009/02/20/quem-sabe-o-ultimo-contrato/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2009 04:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lucas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu vou te propor um contrato de risco. Logo falarei do que se trata. Primeiro vamos esclarecer a carência que me leva a este artifício. A principal é esta necessidade de dividir a vida com alguém. Não posso dizer que preciso de você. Até preciso, mas nem sempre. O problema é que, ultimamente, em diversos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=112&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Eu vou te propor um contrato de risco. Logo falarei do que se trata. Primeiro vamos esclarecer a carência que me leva a este artifício. A principal é esta necessidade de dividir a vida com alguém. Não posso dizer que preciso de você. Até preciso, mas nem sempre. O problema é que, ultimamente, em diversos momentos, sinto uma vontade enorme de estar com você. E fazer tudo aquilo que um casal faz. Sinto falta da rotina estabilizadora, que certamente me privaria, por algum tempo, das mazelas noturnas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Aqui começa o risco do contrato: percebeu o &#8220;algum tempo&#8221; da última frase do parágrafo anterior? Esse é o meu, o seu, o problema de todos nós: o tempo. Precisamos aproveitar o tempo que passa assustadoramente lento, porém não para. Ambos sabemos das delícias dos primeiros dias. A mais temerosa rotina é motivo de inigualável deleite. A TV, as manias, as desculpas, os vícios, a estupidez, tudo se justifica, na cama e nos passeios de carro. As diferenças são ignoradas, pois ainda temos um corpo e um coração a desbravar. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Nesse contrato prometo idolatrar essa doce união. Prometo ignorar qualquer futilidade, qualquer divergência. E digo mais: prometo me adaptar a você. Prometo não somente relevar, tolerar, mas assimilar as tuas preferências, os teus gostos. Essa servidão explicita é conseqüência do meu cansaço. Eu faço tudo que citei acima para poder dormir na tua casa, na tua cama. Eu realmente estou exausto, não sei ao certo o motivo. E, preciso admitir, desconfio que você não será a solução desse problema. Outras não foram&#8230; Mas é a primeira vez que estou disposto a fazer este esforço. Preciso, desesperadamente, de um tempo para descansar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Viu? Preciso de um tempo. Você seria perfeita por certo tempo. Não posso dizer o quanto. Com alguma sorte creio que um ano, ano e meio, que tal? Saberemos a hora da separação: virá a intolerância, o desprezo, os pensamentos lânguidos de antanho, até então reprimidos. Vai acontecer, como sempre. Na seqüência virá a separação, a dor, mas depois dela, a melhor parte: o recomeço. A percepção de que o tempo passou, mas nem tanto. Que ainda é tempo de ser feliz. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Para concluir, falo enfim do risco desse contrato, o qual estabelece nossa comunhão de corpos e sentimentos por período indeterminado. O risco é encontrar a felicidade, um no outro, e ficarmos juntos para sempre. Assina?</span></p>
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		<title>Supostamente diplomáticos</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 01:04:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[diplomacia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[SVP Suiça]]></category>
		<category><![CDATA[Itamaraty]]></category>

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		<description><![CDATA[O episódio da brasileira espancada e ferida por neonazistas na Suíça escancara o quão medonha é a política externa do Brasil. Ponto e parágrafo.
 
O episódio da brasileira supostamente espancada e ferida por supostos neonazistas na Suíça escancara o quão medonha é a política externa do Brasil. Agora sim, podemos prosseguir. E olhe que ainda temo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=108&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O episódio da brasileira espancada e ferida por neonazistas na Suíça escancara o quão medonha é a política externa do Brasil. Ponto e parágrafo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O episódio da brasileira supostamente espancada e ferida por supostos neonazistas na Suíça escancara o quão medonha é a política externa do Brasil. Agora sim, podemos prosseguir. E olhe que ainda temo o uso dos &#8220;supostos&#8221;. Um cheiro de farsa emana dessa história de aborto dos gêmeos&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Mas vamos supor que realmente aconteceu: ela foi espancada e, em sua pele, fizeram cortes com perfeita simetria das iniciais do partido de extrema direita SVP (sempre eles, esses porcos direitistas&#8230;). Isso tudo na rua, nesses terrenos baldios cobertos de neve que abundam na Suíça. Depois ela se escondeu em um banheiro público e teve o aborto. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A situação é dramática, e falo sem ironia. Mas a reação brasileira foi estúpida. Deram contornos xenófobos ao episódio que, se comprovado, foi um fato isolado. É um erro acusar a Suíça de leniente e generalizar a idéia de um país que repele imigrantes. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Ademais, a recente biografia brasileira em questões externas torna o país suspeito em qualquer querela diplomática. Os exemplos são escandalosos. No Paraguai, agricultores de origem brasileira são o alvo principal dos sem-terra paraguaios, e o Itamaraty não faz nada. Por que não faz nada? Em função da identidade ideológica entre o PT e o presidente eleito, Fernando Lugo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A identidade ideológica também foi responsável pelo caso de Cesare Battisti, o homicida italiano que ganhou o status de refugiado político no Brasil. Por que? Porque ele era militante de esquerda, terrorista. Tarso Genro, comovido, não permitiu a extradição do bandido: alegou que a justiça italiana faz perseguição política, e acolheu o companheiro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">O assunto parece chato, mas é assustador. Os exemplos da desastrosa política externa são infindáveis. Devolvemos os pugilistas fujões ao ditador Fidel Castro. Entregamos a preço de banana a Petrobras na Bolívia. Apoiamos os terroristas das FARCs e censuramos a Colômbia, única democracia envolvida no caso. Tudo, e tudo mesmo, de acordo com a nova ideologia que domina o continente.<span>     </span><span> </span></span></span></p>
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		<title>Eu queria fechar os olhos e dormir</title>
		<link>http://perudefora.wordpress.com/2009/02/11/eu-queria-fechar-os-olhos-e-dormir/</link>
		<comments>http://perudefora.wordpress.com/2009/02/11/eu-queria-fechar-os-olhos-e-dormir/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 02:40:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lucas]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio um texto do por vezes genial, por vezes banal, Ivan Lessa. Comparo-o, em menor grau, a Dalton Trevisan, divindade escondida em Curitiba: este, mestre das letras, teve uma trajetória parabólica na literatura. Começou fraco, amador, mas demonstrando as vezes a arte que floresceria. Alcançou o auge da criação literária, e lá permaneceu por anos, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=106&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Leio um texto do por vezes genial, por vezes banal, Ivan Lessa. Comparo-o, em menor grau, a Dalton Trevisan, divindade escondida em Curitiba: este, mestre das letras, teve uma trajetória parabólica na literatura. Começou fraco, amador, mas demonstrando as vezes a arte que floresceria. Alcançou o auge da criação literária, e lá permaneceu por anos, até decair de maneira vergonhosa. Já Ivan Lessa que, ao contrário de Dalton, pouco conheço, parece apresentar lapsos de criatividade curtos e rotineiros. De uma semana para a outra passeia entre a magnitude e a futilidade, num ziguezague infinito.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Mas volto ao começo: leio um texto de Ivan Lessa, desta vez excelente. Fala sobre o sono. Mistura ironia, supostos dados científicos, impressões, aquilo tudo que lhe é característico. Queria citar trechos aqui, mas tenho medo de copiar e colar pilhérias do autor e divagar a respeito, como um pateta. Por isso li apenas uma vez e mantenho a primeira impressão, e a conseqüente e triste reflexão proveniente daquelas linhas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Para aquele que tem sono é deveras agradável falar sobre o ato de dormir. Para aquele que deita e apaga é fácil e até cômico temer o despertador. Para aquele que, após o almoço, resolve cochilar e de fato cochila, é fácil&#8230; sei lá, é fácil dissertar a respeito. É fácil desprezar ou idolatrar em prosa a pessoa amada, desde que você seja desejado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Esta última frase parece, até para mim, que a compus, deslocada. Mas remete ao sentido geral destas linhas: como é bom falar sobre o sono quando se consegue dormir. Eu gostaria de escrever sobre a comprovada renovação mental proporcionada por um cochilo de meia hora. Ou sobre a aurora gloriosa que aguarda o cidadão que completa oito horas de sono. Mas se eu resolvesse falar sobre isso, como agora quase o faço, falaria sobre o fantasma chamado insônia. Falaria da angustia de acompanhar o relógio correr e se aproximar da hora marcada no despertador e eu ali, consciente e resignado, <span> </span>já cansado de lamentar a falta de sono. Optaria certamente pelo testemunho ao invés da ficção que desconheço. Ou não lembro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Ou melhor ainda: falarei de quando, enfim, durmo: sonhos intermináveis, odisséias sem sentido que não me deixam descansar. Coração acelerado, ansioso sabe-se lá por que, exatamente a pior ansiedade, esta que não tem objetivo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Ou falarei sobre as mulheres que eu tive. Sobre as que desejo ter. Sobre qualquer problema que alguém possa ter, utilizando sarcasmo e desprezo. Escrevendo ficção baseado naquilo que eu desconheço; logo suponho, desprezo. Imagine minha frustração ao ler Ivan Lessa escrever isso: &#8220;Os políticos são mestres desta disciplina. Kennedy e Juscelino dormiam o tempo que bem entendiam na hora em que lhes desse na telha.&#8221; Você carece de mulheres? Eu sofro para dormir. <span style="font-family:Verdana;"></span></span></span></p>
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		<title>Sobre a arte de se enganar</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 03:54:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lucas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu queria falar do Obama. E do Lula. E mal de ambos. E falar mal desse pensamento coletivo, que tem a ver com os dois presidentes. E de tanta coisa que daria um post inteiro apenas listando essas coisas. Dois posts inteiros. Mas não consigo escrever um post inteiro sobre cada tópico. Eu enveredo por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=103&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Eu queria falar do Obama. E do Lula. E mal de ambos. E falar mal desse pensamento coletivo, que tem a ver com os dois presidentes. E de tanta coisa que daria um post inteiro apenas listando essas coisas. Dois posts inteiros. Mas não consigo escrever um post inteiro sobre cada tópico. Eu enveredo por rumos estranhos; falo de sentimentos, das tristezas e esperanças vãs de começo de ano. Sei lá, basta uma nova data no calendário para as ilusões suprimirem as trágicas certezas, os desastres iminentes.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">E assim saem essas auto-ajudas, na mais literal definição do termo. Eu me ajudo escrevendo. Eu me ajudo percebendo, porém ignorando, a qualidade sofrível do texto. Clico em “publicar” sem pestanejar. A necessidade de revisar e aprimorar as idéias é menor do que a necessidade de me iludir, de me ajudar. Produzir esse lixo que, nos meus devaneios, beira o sublime. Acredita?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Quem escreve mal como eu sabe: transformar pensamentos arredios em frases compostas é reconfortante. O bom texto possui duas etapas: captar as idéias e depois ordená-las. Da primeira etapa até saímos com certo êxito, mas na segunda enroscamos. Somos obrigados a finalizar de qualquer jeito, numa metodologia apressada e porca. Que se repete a cada novo post. Ou melhor, que se repete a cada momento de angústia, o momento exato desse escrivinhador de araque entrar em ação. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Assim chegamos, mal e porcamente, na reflexão desse texto: como é possível que o simples ato de criar um texto tão medonho possa amainar nossas aflições? Como é possível o autor se sentir bem diante de uma obra tão&#8230; sei lá, imatura? Pela lógica, deveria ser pior escrever. Acompanhe o raciocínio, bravo leitor: eu estou num mal momento, aflito. Começo a escrever. O texto não é bom. Eu almejo escrever bem. Deveria ficar triste, questionar Meu deus, será que nunca vou escrever direito? e então tentar dormir, ainda mais frustrado. Mas não: parece existir um mecanismo que bloqueia essa auto-avaliação. Tudo que se escreve parece lindo. No dia seguinte, se lido num momento bom, desses que intercalam a constante amargura, o texto se mostra medíocre. Menos mal que daí a frustração já não atinge com a mesma força que</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">Eu não sei explicar, e vou acabar assim mesmo o parágrafo. Samuel Beckett fazia isso por estilo. Eu faço por ser o exemplar de escritor descrito acima. Capturei as idéias, até consegui articulá-las, mas na hora do trabalho fino, do toque de estilo da edição, eu preciso parar. Eu sou o preto, o pobre e a puta da arte de escrever. <span> </span></span></p>
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		<title>Um 2009 extremo pra você (ou, Nobres Veleidades)</title>
		<link>http://perudefora.wordpress.com/2009/01/22/um-2009-extremo-pra-voce-ou-nobres-veleidades/</link>
		<comments>http://perudefora.wordpress.com/2009/01/22/um-2009-extremo-pra-voce-ou-nobres-veleidades/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 19:58:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>perudefora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comentário]]></category>
		<category><![CDATA[Lucas]]></category>

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		<description><![CDATA[Se eu pudesse desejar algo a você em 2009, diria o seguinte: que você seja uma pessoa ao extremo. Não extremamente alcoólatra ou extremamente abstêmio. Ou extremamente fiel ou extremamente promíscuo. Falo em sonhos, em perspectivas, falo especificamente nas promessas furadas do final de ano. Aquelas: em 2009 estudarei muito, serei compreensivo, vou amar minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=perudefora.wordpress.com&blog=901116&post=100&subd=perudefora&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Se eu pudesse desejar algo a você em 2009, diria o seguinte: que você seja uma pessoa ao extremo. Não extremamente alcoólatra ou extremamente abstêmio. Ou extremamente fiel ou extremamente promíscuo. Falo em sonhos, em perspectivas, falo especificamente nas promessas furadas do final de ano. Aquelas: em 2009 estudarei muito, serei compreensivo, vou amar minha mulher, entre outras bobagens. Já pensou se promessa realmente fosse dívida?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Enfim, o objetivo destas linhas é falar sobre modos, estilos de vida. E os extremos aos quais me refiro são esses: uma pessoa extremamente determinada, que eliminou a preguiça, a timidez, o medo e traça metas, objetivos. Uma pessoa que não apenas sonha, mas planeja essa realização. E o seu oposto: um completo indiferente. Sem perspectivas, sem planos, sem ilusões. Um barco à deriva. Um ser em permanente abstração, imune às agruras da vida. Desejo, sinceramente, que você seja um ou outro, para eu poder te admirar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O determinado encontrará obstáculos, desilusões, mas fará o impossível para superá-los. Vai cair, vai usar a razão, refletir, erguer-se, lutar e invariavelmente vencer. É a aparente recompensa do universo para esse tipo de gente. Já o indiferente não vai se incomodar. O circo pegará fogo e ele estará deitado na grama, enxergando formas nas nuvens. Pra que lutar se ele não quer nada? Qual o sentido de correr tanto num mundo desesperadamente carente de sentidos?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Não sei qual dos dois é melhor. Mas sei qual é o pior: o meio-termo, ou seja, eu e você. Esse ser desprezível que, no dia 31 de dezembro de 2008, dormiu cheio de planos e acordou de ressaca, esquecido de tudo. Talvez tentou tornar o primeiro do ano um dia diferente, ou &#8220;o começo de uma nova vida&#8221;, como dizem. Mas o segundo do ano foi o limite da ilusão, e tudo voltou ao normal, à avassaladora rotina. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Somos assim, meio batalhadores, meio conformistas. Somos acometidos pelo mal do acomodamento: a mesma mulher, porque é cômodo, apesar de não suportá-la, o mesmo chefe, porque é cômodo, apesar de esganar-lhe em pensamento, o mesmo corpo, apesar de evitar o espelho, a mesma melancolia, os mesmos receios, a mesma vidinha. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;">Resumindo a idéia e o desejo deste escriba: que em 2009 você se aproxime de um dos extremos! Não importa qual: será nobre, admirado. É o ápice do individualismo, uma escolha sincera de vida, a rejeição da imbecilidade coletiva. Evidente que será impossível atingir os extremos, porque somos humanos. Desistimos ao presenciar obstáculos muito grandes, como aqueles cavalos nas olimpíadas. Ao mesmo tempo, nos preocupamos com picuinhas insignificantes, que nos tiram o sono e a fome. Mas essa jornada, essa busca pelo extremo já será um grande feito. Ou então esqueça tudo e permaneça ao meu lado, nessa vida de atroz meio-termo: lutando, mas logo desistindo; aparentemente indiferente, mas com remorsos e rancores devidamente escondidos no coração.<span>   </span><span>  </span><span>  </span><span> </span><span>  </span></span></span></p>
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